
Rodrigo Pacheco na entrevista coletiva ao lado do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes. Foto: Pedro França/Agência Senado.
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, voltou a cobrar mudanças na condução da política externa do País como forma de facilitar a aquisição de vacinas contra a Covid-19. Para ele, houve “muitos erros” no enfrentamento da pandemia.
Ele lembrou que a sessão especial realizada na quarta-feira (24) com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, já serviu como um alerta para o governo federal. Segundo Pacheco, um dos erros do governo durante a pandemia foi a falta de negociação. Ele afirmou, porém, que ainda há tempo de mudar a política externa “para salvar vidas”.
Sobre uma possível saída do ministro Ernesto Araújo, o presidente do Senado não quis opinar. Ele afirmou que a saída e a entrada de ministros competem exclusivamente ao presidente da República.
Para Pacheco, o que é necessário agora é a mudança dos rumo da política externa, para que o Brasil consiga parcerias que facilitem a aquisição de vacinas. Ele disse que o trabalho do Ministério das Relações Exteriores está “muito aquém do que o Brasil precisa”.
“O que tem que mudar é a política externa do Brasil. Todos enxergam a necessidade um ambiente de maior diplomacia”, declarou.
Gesto obsceno
Rodrigo Pacheco confirmou que a Secretaria-Geral da Mesa do Senado vai investigar um suposto gesto racista de Filipe Martins, assessor Internacional do presidente da República, que teria sido feito durante a sessão especial de quarta-feira (24). Pacheco reafirmou que não quer fazer prejulgamentos, mas disse que, ao ver as imagens, é possível perceber Filipe Martins fazendo um gesto inapropriado para o ambiente do Senado.
“Queremos, mais uma vez, repudiar qualquer ato que envolva racismo ou discriminação de qualquer natureza e também repudiar qualquer gesto obsceno. Senado não é lugar de brincadeira”, ressaltou.
Comitê
O presidente do Senado afirmou que o comitê nacional criado para enfrentar a crise da Covid-19 é uma iniciativa que vem para somar, em um esforço conjunto entre várias lideranças políticas na busca de uma resposta para a população.
Na visão de Pacheco, o comitê surge em um momento crítico, depois de um ano de pandemia. Ele disse que a falta de insumos, de vacinas e de leitos evidencia a crise aguda que o país está atravessando e manifestou solidariedade às famílias de quem morreu em decorrência da Covid-19. Pacheco também destacou a importância do presidente Jair Bolsonaro na liderança do comitê.
“Este momento recomenda uma ação. E essa ação envolve diretamente o presidente da República. A forma que encontramos foi a criação do comitê”, afirmou o presidente do Senado.
Empresários
Sobre a denúncia de que alguns empresários brasileiros estão se vacinando contra a Covid-19 mesmo sem fazer parte dos grupos prioritários, Pacheco afirmou que não se pode admitir e tolerar que o Plano Nacional de Imunização (PNI) seja descumprido. Ele lamentou a denúncia.
“Não é ético nem possível pensar que alguém possa se vacinar fora do plano de vacinação”, criticou.
Orçamento
O presidente do Senado também elogiou o trabalho do relator do Orçamento (PLN 28/2020), senador Marcio Bittar (MDB-AC), e da presidente da Comissão Mista de Orçamento, deputada federal Flávia Arruda (PL-DF).
“Uma vez aprovado, o Congresso já vai trabalhar na formação da Comissão Mista de Orçamento para o ano de 2022”, garantiu.
Pacheco informou que, após o feriado da Semana Santa, haverá uma sessão do Congresso Nacional para examinar os vetos presidenciais remanescentes. Ele acrescentou que haverá uma negociação entre o líder do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), e os líderes partidários para definir um acordo sobre manutenção e derrubada de vetos.
Arthur Lira
Para Rodrigo Pacheco, a expressão “sinal amarelo”, usada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, é uma manifestação legítima e uma demonstração de insatisfação com o governo federal. Pacheco ressaltou que o Congresso tem trabalhado por um ambiente de consenso e pacificação, mas apontou que é preciso uma sinalização no mesmo sentido por parte do governo.
“Precisamos, de fato, de união nacional para o enfrentamento dessa crise”, destacou.
Fontes: Agência Senado e Agência Brasil.