Para Simone, Roberto Dias não é o principal responsável pelo “propinoduto”. Foto: Agência Senado.

Simone Tebet (MDB-MS) questionou Roberto Dias se houve o envio de procuração da Bharat Biontech, fabricante da Covaxin, para atestar a regularidade fiscal da Precisa Medicamentos que justificasse a assinatura da nota de empenho para pagamento de R$ 1,6 bilhão previsto no contrato de compra dos imunizantes. O depoente disse não recordar e que precisaria consultar dados do processo.

Na avaliação da senadora, o ex-diretor de Logística deve se enquadrar como testemunha e não como investigado da CPI, porque, na visão de Tebet, ele passou a perder autonomia sobre as compras de vacinas em janeiro de 2021 para que “o núcleo militar controlasse o galinheiro”. Para ela, Roberto Dias não é o principal responsável pelo “propinoduto”.

A senadora afirmou que o escândalo no contrato da Covaxin, eivado de irregularidades, explica o desinteresse do governo Bolsonaro na compra de vacinas da Pfizer.

Simone Tebet observou que a vacina Covaxin não era adequada para o combate à pandemia, já que não poderia ser ministrada a pessoas com comorbidades e idosas.

Reverendo Amilton

Renan Calheiros (MDB-AL) questionou Roberto Dias sobre a sua relação com reverendo Amilton Gomes de Paula. O depoente afirmou que ele o procurou dizendo que tinha disponibilidade de doses de vacinas para covid-19. Em resposta ao senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), o ex-diretor de Logística do Ministério da Saúde negou que tenha negociado a compra de vacinas, apesar da troca de mensagens e de encontros relacionados à empresa Davati, que ofereceu 400 milhões de doses da AstraZeneca.

Ele também negou ingerências politicas. E disse que a ocupação de cargos estratégicos por militares durante a gestão Eduardo Pazuello “não beneficiou a pasta, pelo menos no que tange à área onde trabalhei”.

Também em resposta a Vieira e à senadora Eliziane Gama (Cidadania-MA), Roberto Dias disse que seu ex-assessor, coronel Marcelo Blanco, sabia de sua presença no restaurante Vasto no dia 25 de fevereiro, quando foi feita a oferta de 400 milhões de vacinas AstraZeneca. O que ele “não esperava”, declarou, era a presença do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, apresentado como representante na negociação.

Fonte: Agência Senado.