
O ministro disse que o Brasil investiu cerca de US$ 70 milhões no desenvolvimento de suas próprias vacinas. Foto: Senado Federal/YouTube.
O presidente da Comissão Temporária da Covid-19 no Senado Federal, Confúcio Moura (MDB/RO), assumiu nesta segunda-feira (24) com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), Marcos Pontes, o compromisso de atuar para incrementar o orçamento da pasta a partir de 2022.
Durante audiência, o vice-presidente da comissão, Styvenson Valentim (Podemos/RN), lembrou que o país investe, hoje, apenas cerca de 1% do PIB nesta área.
Na resposta ao senador, Pontes reforçou que os investimentos públicos têm caído desde 2013, por isso o investimento em ciência pode até estar abaixo de 1%.
“Um percentual ínfimo, se comparado a países como Coreia do Sul e Israel, onde o investimento em ciência está entre 4% a 5% do PIB, ou de nações como os EUA, em que megaempresas como a Pfizer investem bilhões de dólares numa única vacina, como se deu no combate ao novo coronavírus (Covid-19)”, reiterou.
O relator da comissão, senador Wellington Fagundes (PL/MT), lembrou que o reservado para a pasta em 2021 atingiu o nível histórico mais baixo e disse ter “dificuldade em entender” a queda sistemática no orçamento do MCTI. Para ele, é “paradoxal” que num quadro pandêmico grave e de forte impacto econômico negativo, o país opte em cortar investimentos em ciência, que são “absolutamente fundamentais” para que reforcemos a autonomia inclusive na estratégia de vacinação e de retomada econômica plena.
O secretário de Pesquisa e Formação Científica do Ministério, Marcelo Morales, reforçou o diagnóstico de Fagundes. Para Morales, a Covid-19 “veio pra ficar” e é provável a necessidade de vacinações anuais contra a doença. “O que só reforça a necessidade de que o país controle todo o processo de desenvolvimento de vacinas, da fabricação ao envase”, explicou.
Vacinas próprias
Marcos Pontes lembrou que até o momento o Brasil investiu cerca de R$ 400 milhões – cerca de US$ 70 milhões – no desenvolvimento de suas próprias vacinas, todas ainda em fase clínica de testes. “Podemos, com um investimento muito menor que o da Pfizer, por exemplo, atingir uma situação de soberania tecnológica no combate à Covid-19”, disse o ministro, o que, no seu entender, é a evidência de que o país deve incrementar estes investimentos.
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, segundo Wellington Fagundes, após reunião que teve com o chefe da pasta na última sexta-feira (21), disse assumir publicamente o compromisso de comprar toda a produção local de vacinas, o que dá segurança às empresas envolvidas nessas pesquisas, tanto públicas quanto privadas. O senador ainda pediu uma atenção especial do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações à possibilidade do uso da estrutura de vacinação veterinária brasileira na produção local de vacinas contra a covid-19. Em resposta, Pontes garantiu que a pasta está atenta a esse processo, que vê como uma possibilidade real de viabilidade.
Ainda durante a reunião, Marcos Pontes pediu aos senadores apoio na aprovação do PLN 6/2021, que libera mais R$ 415 milhões para investimentos na vacina brasileira. A votação do projeto pelo Congresso Nacional está prevista para quarta-feira (26). O ministro também declarou apoio ao PL 1.208/2021, em análise na Câmara, que estabelece estratégias de incremento do investimento privado em ciência.
A senadora Zenaide Maia (PROS/RN) cobrou que a pasta priorize mais a ButanVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, também fase de testes.
Com informações da Agência Senado.