Em evento religioso, governador Elmano se comprometeu em distribuir bíblias nas escolas. Foto: Reprodução/Instagram

Depois de muito bate-boca e um tempo considerável nas discussões da Assembleia Legislativa, os deputados aprovaram, na manhã desta quarta-feira (14), um projeto de Indicação que versa sobre a inclusão do estudo da Bíblia como matéria transversal nas escolas cearenses. A matéria foi aprovada com a inclusão de uma emenda do líder do Governo, Romeu Aldigueri (PDT), que inclui a distribuição de outros livros religiosos nas instituições de ensino do Estado.

Deputado defende o estudo da Bíblia nas escolas do Ceará

A proposta está tramitando na Casa desde 2022, e foi apoiada à época por alguns parlamentares que agora se colocaram contra. A polêmica se deu porque o governador Elmano de Freitas (PT), em um evento evangélico, afirmou que irá distribuir bíblias em escolas públicas. A oposição chegou a dizer que o chefe do Executivo, no passado, votou contra a texto semelhante, mas a liderança do Governo afirmou que ele apenas presidiu comissão que negou o projeto, em 2018.

O projeto de Indicação, de autoria do deputado Apóstolo Luiz Henrique (Repu), foi aprovado e recebeu votos contrários de Renato Roseno (PSOL), Larissa Gaspar (PT), Dra. Silvana (PL), Lia Gomes (PDT) e Emília Pessoa (PSDB).

“É um engano, uma casca de banana. Não foi prometido para colocar livros de outras matizes se não a cristã, a evangélica, a católica. Foi colocado que somente a Bíblia seria colocada nas escolas. Ele (Elmano) prometeu com uma mão e jogou a casca de banana com a outra. Ou ele respeite a maioria ou não confunda as crianças e os adolescentes nas escolas. A emenda estraga o projeto”, criticou Dra. Silvana.

Relator da emenda na comissão, o deputado De Assis Diniz (PT) afirmou que a modificação dá oportunidade para  que os alunos tenham conhecimento às mais diferentes visões religiosas, como o cristianismo e religiões de matriz africana. “Dessa forma, a gente pode ter a garantia que todas as crenças possam ter acesso nas escolas”, defendeu.

De acordo com a emenda, todas as escolas da rede estadual contarão com acervo de exemplar de livros com texto sagrado de religiões praticadas no País.  “A Bíblia não é da direita e nem da esquerda. Isso não existe. O governador disse, atendendo o pedido de um parlamentar, que encaminharia um projeto de Lei. O governador disse que iria colocar a Bíblia nas escolas. O líder do Governo está aperfeiçoando o projeto, e atendendo a Constituição, atendendo todas as religiões”, defendeu Romeu Aldigueri.

“O que me parece é que querem politizar o assunto, e colocar a Bíblia para uma linha de conduta de direita. A Bíblia é de todos nós” – (Romeu Aldigueri)

Alcides Fernandes (PL) também reclamou da mudança no texto original, e criticou a inclusão de outros livros religiosos, direcionando sua crítica, exclusivamente, para uma publicação às religiões afro-brasileiras. “De repente, não é Bíblia, mas todos os tipos de livro. Inclusive, São Cipriano. O PT sendo PT. O povo de Deus está à espera”.

O deputado Queiroz Filho (PDT) afirmou ter protocolado requerimento junto ao Conselho Estadual de Educação, à Secretaria de Educação e ao Ministério da Educação para que possam opinar sobre a matéria. Segundo ele, caso o Governo do Estado encaminhe uma mensagem tratando do tema, é preciso se basear em questões técnicas dos três órgãos.