Didi Mangueira destacou que cada disputa eleitoral tem suas peculiaridades. Foto: CMFor.

Ainda no clima de animosidade por conta do pleito eleitoral de domingo passado (29), vereadores de Fortaleza subiram à tribuna do Plenário Fausto Arruda, na manhã desta quarta-feira (02), para enaltecer a vitória do prefeito eleito, Sarto (PDT), e reclamar de algumas situações atípicas do processo eleitoral.

Um dos parlamentares mais experientes da Casa, Didi Mangueira (PDT), fez um passeio histórico do processo eleitoral na Capital cearense nas últimas três décadas e suas consequências para vitoriosos e derrotados. Ele lembrou, por exemplo, que nomes que se apresentavam como potencias lideranças políticas não se firmaram no cenário político.

O pedetista resolveu realizar essa abordagem histórica após falas da oposição criticando o processo eleitoral, principalmente, por conta do uso de pesquisas, que segundo o opositor Márcio Martins (PROS), foi utilizada para beneficiar candidatura governista. Para Didi Mangueira, cada processo eleitoral tem suas peculiaridades e, a vitória nas urnas em uma disputa não significa, necessariamente, o surgimento de uma liderança política expressiva.

“Ouvi comentários de que a oposição está mais viva do que nunca, de que o resultado apertado das urnas deixa o Capitão Wagner preparado pra ser governador do Estado. Em 1985, a Maria Luíza aparecia na quarta colocação nas pesquisas e se elege prefeita com diferença apertada de 11 mil votos para Paes de Andrade. Erro dos institutos? Talvez não. O eleitor pode dizer que vai votar em determinado candidato, mas em 24 horas ele muda”, disse.

Ele lembrou que, após perder as eleições, Paes de Andrade teve mandatos de deputado federal, mas logo após um período, não conseguiu mais se reeleger. Em 1988, citou a eleição entre Ciro Gomes e o ex-deputado federal Edson Silva, com diferença de pouco mais de 5 mil votos.

“Todo mundo dizia que ali nascia a grande oposição, o grande líder Edson Silva. Ele foi mais duas vezes deputado federal, duas vezes deputado estadual e não conseguiu mais reeleição. E o Ciro? Em dois anos foi eleito governador do Estado”, destacou.

Em seguida, Didi rememorou a eleição em que Antônio Cambraia venceu no primeiro turno com uma diferença de mais de 187 mil votos conta seu opositor à época, Assis Machado. Na eleição seguinte, segundo disse, Cambraia apoiou Juraci Magalhães para a Prefeitura de Fortaleza, e se elegeu deputado federal por duas vezes e em uma disputa para a Câmara Municipal, não conseguiu sequer se eleger vereador.

Juraci Magalhães, por sua vez, em disputa contra Inácio Arruda, obteve diferença de votos superior a 370 mil sufrágios do eleitorado fortalezense. “Sabe o que aconteceu com essa folga? Juraci diminuiu para 75 mil. Olha como uma eleição não depende da outra. Cada uma é uma história diferente”, destacou.

Mais recentemente, em 2012, a diferença entre Roberto Cláudio e o candidato derrotado nas eleições daquele ano, Elmano de Freitas, ficou em pouco mais de 74 mil votos. “Sabe o que aconteceu? O Elmano, que quase ganha a eleição para prefeito de Fortaleza, é deputado estadual e ficou na terceira colocação em Caucaia”, observou.

“O Sarto ganhou a eleição com diferença de 43 mil votos e será o prefeito de todos. E sobre esses 43 mil votos de diferença, eu lembro que o Ciro Gomes ganhou com diferença de 5 mil votos. E o que aconteceu com o Ciro? Foi governador, ministro, deputado federal mais votado e quase presidente”, concluiu Didi Mangueira.