Henrique é aliado da base de Elmano, mas tem demonstrado insatisfação com suas pautas. Foto: ALECE

Cansado de ter projetos aprovados e transformados em Lei, mas sem efetividade por parte da gestão, o deputado Apóstolo Luiz Henrique (Repu) utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa para cobrar que uma dessas suas propostas, de 2020, se transforme, realmente, em Lei. Do contrário, ele ameçou que, caso o Governo não atenda suas demandas, ele fará parte da oposição.

A Lei a que o parlamentar se referia é simples, e deveria estar em vigor desde 2020. Ela diz respeito à divulgação da Lei do Feminicídio, que considera homicídio qualificado o assassinato de mulheres em razão de gênero, em todos os estabelecimentos públicos de ensino do Estado. De acordo com a legislação, a divulgação da Lei poderá ocorrer por meio de cartazes, panfletos, banners,revistas,impressos, murais, mídias no espaço escolar e ferramenta de comunicação.

“Vou acabar virando oposição. O líder do Governo não fala nada a favor da gente, eu não vou me calar. Vou me inscrever todo dia e vou falar. A nossa Lei é só pra anexar um cartaz falando sobre a Lei do Feminicídio. Não tem cartaz falando da homofobia, coloque a Lei de minha autoria”, disse. “Eu não estou aqui para brincar”, afirmou.

Após as críticas feitas na tribuna do Plenário 13 de Maio, o deputado recebeu a confirmação do Governo do Estado de que a Lei passará a ser aplicada. “Procuro o diálogo, e o melhor para o povo cearense. Caso não sejamos atendidos, me posicionarei como oposição”, apontou.

O parlamentar também elogiou os prefeitos que, por um motivo ou outro, cancelaram os festejos de Carnaval, e criticou o prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, por manter a festa carnavalesca apesar de apontar que a Prefeitura enfrenta um problema de caixa. “Queria parabenizar esses prefeitos não somente no sentido religioso, mas por estarem abrindo os olhos para fazerem bom uso do dinheiro público”.

Caos

Ele citou o prefeito de Caucaia, Naumi Amorim, que cancelou o Carnaval da cidade devido a um “cenário de caos” deixado pelo antecessor, Vitor Valim; e o gestor de Quixeramobim Cirilo Pimenta, que também desistiu da festa em respeito aos familiares de jovem assassinada após sair de uma igreja, o que gerou comoção na cidade.

“A Prefeitura de Fortaleza, mesmo a gente sabendo como se encontra, ainda destinou recursos para o Carnaval. Eu não sou a favor, nunca fui. A saúde está precária, principalmente, em Fortaleza. Tanta gente sofrendo. Está na hora dos prefeitos despertarem e fazerem bom uso do dinheiro”, pontuou.