Djalma Pinto . Foto ALECE

Alguns autores utilizam a expressão “epidemia de corrupção” para retratar a nocividade de sua desenfreada propagação em muitas sociedades.
No meu próximo livro, “Educação para a integridade e para a Justiça”, proponho que o combate a essa praga se inicie já nos primeiros anos de vida com a família e na escola do ensino fundamental.
Desde a primeira infância, deve-se ter consciência de que o dinheiro dos contribuintes transferido aos cofres do Estado é sagrado e por isso não pode ser desviado sem gravíssimas punições aos infratores.

As pessoas assim educadas, ao serem investidas em quaisquer das esferas do poder estatal, o exercerão com dignidade e altivez, para não prejudicarem os governados.

Sem essa formação básica e sem exemplar punição aos assaltantes do dinheiro público, muitas nações amargam e continuarão amargando duras consequências pelas ações degeneradas de seus agentes públicos.

Todos os países deveriam se preocupar com a educação de suas crianças para a integridade, para a garantia da justiça e da solidariedade ente os seus nacionais.
A Ucrânia, por exemplo, sofrendo hoje com o massacre impiedoso dos agressores russos, é obrigada a conviver com a divulgação de desvios de verbas, assim retratados no mundo todo: “ A Agência Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) realizou 70 buscas para desmantelar uma rede que teria desviado cerca de US$ 100 milhões de dólares (R$ 531,7 milhões). Cinco pessoas foram detidas, entre elas um ex-assessor do Ministério da Energia e um alto cargo da empresa estatal Energoatom.”
A conclusão é uma só. Sem boa formação, trabalhada a partir da infância; sem a certeza da efetiva punição, a ambição prevalece no humano que ataca os bens públicos. Esquecem os agentes estatais que nada, nada levarão após sua curta passagem pela terra.
É estarrecedora a constatação da existência de autoridades que, mesmo diante do massacre de seu povo, não conseguem conter a sua compulsão para assaltá-lo. Triste realidade a ser modificada pelas novas gerações.

Djalma Pinto é advogado e autor de diversos livros, entre os quais: Distorções do Poder, Ética na Política e Cidade da Juventude.