
O prefeito de Fortaleza foi sabatinado pelo Uol na quinta-feira (25). Foto: Divulgação/Prefeitura de Fortaleza
O prefeito e pré-candidato à Prefeitura de Fortaleza, José Sarto (PDT), afirmou em uma sabatina para o UOL na quinta-feira (25) que os prefeitos estão sendo “obrigados” a se envolver na questão da segurança pública. Sarto criticou os altos índices de violência no Ceará e acusou a gestão de Elmano de Freitas (PT) de conivência com o crime organizado no estado. Segundo Sarto, o crime organizado oriundo do Sudeste está encontrando um “terreno fértil” para se proliferar em solo cearense. Em razaõ disso, o chefe do Executivo municipal defendeu a capacitação e o armamento da polícia municipal, mas enfatizou que o objetivo não seria combater diretamente o tráfico, e sim “proteger a população”.
O pré-candidato do PDT também destacou que, atualmente, não há espaço para opiniões divergentes ou posições antagônicas na política cearense, criticando o que chamou de “coronelismo cibernético, partidário”, onde se deve seguir a cartilha do atual governante. Sarto considerou isso um “retrocesso no modo de governar”. O atual prefeito de Fortaleza também questionou a priorização do governo estadual quanto à prioziração de verbas para cidades cujos prefeitos são aliados da gestão. Ele citou que, em 2023, a capital, com 2,6 milhões de habitantes, recebeu apenas R$ 159 mil em transferências voluntárias, enquanto municípios menores, como Guaramiranga, receberam valores superiores.
Além de falar da gestão do PT no Ceará, Sarto também comentou o desenrolar do governo federal. Ele destacou que os petistas precisam fazer uma autocrítica diante do que chamou de cenário de “dogmatização da política” enfrentado pelo Brasil, que acaba por relegar ao segundo plano o debate sobre as questões nacionais. Sarto também criticou o presidente Lula, afirmando que ele está perdendo a oportunidade de implementar mudanças necessárias e estabelecer uma agenda política e social para o país. O pré-candidato considerou que o presidente está sendo protegido por seus assessores e que o partido precisa adotar uma postura mais crítica, alertando contra o que no Ceará é chamado de “babão” – alguém que sempre concorda e não aponta os erros.
Sobre a presença de Lula nas eleições de Fortaleza, Sarto considerou natural o apoio do presidente ao deputado estadual Evandro Leitão (PT). No entanto, aproveitou para criticar Leitão, que era filiado ao PDT, mas adotou uma postura diferente desde 2022. Sarto também se manifestou contra a nacionalização da campanha municipal, considerando-a “improdutiva para a população”.
Alianças para o 2º turno
Sarto falou também sobre possíveis alianças com outros partidos rivais no eventual segundo turno. Ele não destacou nenhum partido específico, mas mencionou que legendas como União Brasil, PL e PT poderiam ser convidadas para formar uma aliança caso o PDT chegue à fase final das eleições. Além de Sarto, outros três pré-candidatos estão se destacando: pelo União Brasil, o ex-deputado federal Capitão Wagner lidera as pesquisas; pelo PT, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), Evandro Leitão, é o pré-candidato apoiado pelo governo estadual e pelo presidente Lula; e pelo PL, o deputado federal André Fernandes, com o apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro, também está concorrendo.
Ao comentar sobre Capitão Wagner liderar nas últimas pesquisas, o prefeito afirmou que é um cenário “natural”, já que o candidato do União Brasil é um nome conhecido e já disputou eleições anteriores para cargos do Executivo em Fortaleza e no Ceará. Sarto, embora reconheça que Capitão “tem aprendido muito”, o chamou de conveniente. “Ele surgiu no extremismo e agora está se movendo para o centro, parece um pouco conveniente adotar uma postura em um momento e depois outra”, declarou.
Críticas à gestão
O prefeito também falou sobre questões controversas de sua administração, como a cobrança da taxa do lixo e a crise na saúde pública municipal. Em relação à taxa do lixo, Sarto afirmou que o financiamento da coleta é uma exigência da legislação federal e destacou que apenas três das 26 capitais brasileiras não cobram esse imposto. Ele ressaltou que 70% das residências de Fortaleza são isentas.
Sobre as filas nos hospitais, Sarto reconheceu que a gestão da saúde é um desafio complexo. Ele garantiu que sua administração entregará 24 postos de saúde em quatro anos e que os efeitos desse aumento na rede de atendimento ainda serão sentidos pela população. Por outro lado, enfatizou os pontos fortes de sua gestão, destacando que Fortaleza está entre as capitais com os melhores indicadores de educação básica e é a cidade do Nordeste com a maior atividade econômica.