Lúcio Bruno é cotado para presidir a CPI da Cagece na Câmara de Fortaleza. Foto: Miguel Martins

Cotado para ser o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que vai investigar a Companhia de Água e Esgoto (Cagece) em Fortaleza, o vereador Lúcio Bruno (PDT) tem muitos pontos a abordar sobre a empresa. O parlamentar destacou alguns dos encaminhamentos que devem ser dados quando da abertura da fiscalização, já salientando que, devido à precarização dos serviços prestados, existe a possibilidade, inclusive, de solicitação do fim do contrato da Cagece com o Estado no que diz respeito ao que é oferecido para a Capital cearense.

Segundo informou, apesar de a empresa Enel ter sido motivo de críticas nos últimos meses, a Cagece estaria no mesmo patamar de reclamações da população. “Constantemente está tendo falta de água e isso me chama a atenção. Temos regionais que dia sim e dia não falta água. Passamos mais de duas semanas com banheiros públicos da Beira-Mar fechados por falta de água. Não sei o que está acontecendo com a Cagece com tanta falta de abastecimento”, disse.

Bruno já vem se debruçando sobre o assunto Cagece, inclusive, presidiu comissão especial tratando do tema, e segundo ele há recorde de reclamações por parte da população. Ele apontou, ainda, que ano passado o reajuste de 18% no consumo de água foi o maior já feito pela empresa, sem que houvesse melhoria dos serviços. “A gente criou uma comissão para tratar desse assunto e agora estamos instalando essa CPI para punir os responsáveis pela quebra de serviço para a população. A população está pagando tendo ou não água”.

“Temos que cobrar, de fato, apurar e punir. Se caso for, até cessar o contrato que há entre o Governo do Estado e a Cagece com a Prefeitura de Fortaleza. Não dá mais para a população pagar esse prejuízo” – (Lúcio Bruno)

Ainda de acordo com ele, diversos assuntos devem ser abordados na CPI, focando principalmente naquilo que atinge o bolso do fortalezense. Ele destacou que de 2015 a junho de 2022 os moradores da Capital pagaram uma tarifa de contingência, onde a Cagece chegou a arrecadar cerca de meio bilhão de Reais.

“Queremos saber o que foi feito desse dinheiro. A Lei diz que deveria ser aberto uma conta específica e o dinheiro investido em obras hídricas. Quero saber em que foi investido. O povo de Fortaleza pagou 90% e o restante do Estado não pagou”, disse.

Investimento

“E se não foi gasto na totalidade, que devolva ao cidadão de Fortaleza. Pelo que estamos vendo, melhoria de obras hídricas, zero. Nunca se falou tanto em falta de água como estamos vendo. Isso é só um ponto”, salientou. Sobre a usina de dessalinização, Lúcio Bruno afirmou que há um investimento de R$ 500 milhões para a instalação do equipamento, que tem como objetivo atender somente 12 bairros da cidade, podendo deixar a água para o consumidor mais cara em até oito vezes.

“Será que esse investimento é importante? O povo de Fortaleza não aguenta mais essa conta”, disparou. Ainda de acordo com ele, houve um convite do presidente da Câmara, Gardel Rolim (PDT), para que Lúcio Bruno presida o colegiado. “Queremos fazer um trabalho que fique para a cidade, que apure as necessidades e que a população tenha consciência e participe do processo. Queremos ouvir a população e levar para fora da Casa, ouvir todos”, concluiu.