Vereadores de Fortaleza quando tomaram posse na Mesa Diretora, no início deste ano. Foto: CMFor

Diferente de 2016, quando nove vereadores não tentaram reeleição, na disputa eleitoral de 2020, pelo menos até o momento, todos os 43 membros do legislativo municipal de Fortaleza tentarão permanecer na Câmara por mais quatro anos.

Na primeira eleição sem coligação proporcional (ajuntamento de partidos na disputa para vereadores e deputados), as agremiações apostam em candidaturas fortes que possam atrair o maior número de votos possíveis. Isso faz com que os atuais membros da Casa acreditem numa maior possibilidade de serem reeleito e menor renovação no próximo ano.

Na última eleição para a Câmara de Fortaleza, em 2016, a Casa teve uma renovação de 60% de sua composição. Das 43 cadeiras da Casa, 26 foram ocupadas por parlamentares que não estavam na Legislatura passada.

Na ocasião, dos 34 vereadores que tentaram reeleição, somente 17 tiveram êxito. Nove desistiram do pleito. O pedetista Adail Júnior foi o vereador reeleito mais votado, com 15.912 mil votos, ficando em segundo lugar, logo atrás de Célio Studart, hoje deputado federal pelo PV.

Atualmente deputado estadual Salmito Filho (PDT), na ocasião presidente do Legislativo Municipal da Capital cearense, se reelegeu com 15.551 votos. Naquele pleito, Salmito aumentou sua votação em mais de 5 mil votos com relação à disputa de 2012. Atual presidente da Câmara, Antônio Henrique (PDT) foi o quarto mais votado, com 13.401 votos.

Outros reeleitos foram Elpídio Nogueira (PDT), Benigno Júnior (PSD), Didi Mangueira (PDT), Márcio Cruz (PSD), Mairton Félix (PDT), John Monteiro (PDT), Luciram Girão (PDT), Evaldo Lima (PC doB), Ziêr Férrer (PDT), Bá (PTC), Cláudia Gomes (PTC), Guilherme Sampaio (PT), Acrísio Sena (PT) e Casimiro Neto (PMDB).

No pleito de 2016 não obtiveram êxito em suas tentativas de reeleição os então vereadores Gelson Ferraz (PRB), Carlos Mesquita (PROS), Carlos Dutra (PDT), Joaquim Rocha (PDT), Marcus Teixeira (PDT), Fábio Braga (PTN), Alípio Rodrigues (PTN), Eulógio Neto (PSC), Magaly Marques (PMDB), Ronivaldo Maia (PT), Ruthmar Xavier (PR), Robert Burns (PTC), Deodato Ramalho (PT), Paulo Diógenes (PSD), Marcos Aurélio (PSD) e Gerôncio Coelho (PDT).

No entanto, no decorrer da atual Legislatura já assumiram vagas deixadas pelos titulares dos assentos os vereadores Carlos Mesquita, Carlos Dutra, Joaquim Rocha, Ronivaldo Maia, e mais recentemente, Ruthmar.

Disparidades eleitorais

Naquele pleito, nove vereadores eleitos em 2012 não tentaram retorno para a Casa, e alguns deles apoiaram familiares. O ex-vereador, por sua vez, João Alfredo (PSOL), naquele ano, tentou disputa à Prefeitura de Fortaleza.

O pleito de 2016 apresentou também disparidades típicas do processo eleitoral brasileiro em que a disputa proporcional podia, até então, ser realizada através da coligação proporcional. Enquanto o mais votado daquela disputa, Célio Studart recebeu 38.278 votos, o menos votado, Dummar Ribeiro obteve somente 3.115. Ou seja, um Célio Studart elegeria até 12 Dummar Ribeiro.

Além de Studart, obtiveram votação expressiva no pleito de 2016 Adail Júnior, Salmito Filho, Antônio Henrique, Iraguasú Filho, Renan Colares e Elpídio Nogueira. Todos eles alcançaram a marca de mais de 10 mil votos.

Presidente e vice-presidente da Câmara

A expressiva votação permitiu a Célio Studart se eleger deputado federal na disputa eleitoral do ano passado. Salmito Filho, por sua vez, se elegeu deputado estadual.

Já Antônio Henrique e Adail Júnior, foram escolhidos, respectivamente, presidente e vice-presidente da Câmara Municipal. Elpídio Nogueira, por sua vez, foi convidado para trabalhar na gestão do prefeito Roberto Cláudio.

Na outra ponta, temos os vereadores que foram eleitos com menos de 5 mil votos. Além de Dummar, receberam menos votos na Casa os vereadores Márcio Martins (PROS), Idalmir Feitosa (PL), Larissa Gaspar (PT) e Marília do Posto (PRP).

Dois desses, Márcio e Larissa, hoje, fazem oposição ao Governo Roberto Cláudio. Marília do Posto e Dummar estão entre os parlamentares menos participativos nos debates propostos nas sessões plenárias da Casa.

Plenário da Câmara Municipal de Fortaleza. Foto: Fotos: Érika Fonseca/CMFor

Vereadores já estão em clima de pré-campanha

O presidente da Câmara de Fortaleza, vereador Antônio Henrique (PDT), destacou que todos os atuais vereadores da Casa são pretensos candidatos à reeleição. “Nenhum ainda se posicionou ao contrário”, disse.

Segundo ele, a Câmara tem bons quadros na atual Legislatura, mas nomes com potencial possibilidade de votos devem conseguir eleição na disputa do próximo ano. Segundo ele, há um ano das eleições de 2020, a sensação entre seus pares é de apreensão e muita articulação, uma vez que todos vão tentar mais um mandato.

“É aquela sensação pré-campanha. Há muitos comentários, porque mesmo faltando um ano, o tempo passa muito rápido. A sensação que temos é de intensificação de trabalhos nas bases. Porque quanto mais se aproxima das eleições, mais a gente tenta dar visibilidade ao trabalho”, afirmou o chefe do Legislativo Municipal da Capital cearense.

Indo para a sua quinta disputa, o vereador Guilherme Sampaio (PT) afirmou que a tendência é que a renovação na Casa seja menor que a da eleição passada, visto que há uma expectativa de crescimento na votação da maioria dos vereadores novatos.

“A tendência será se seus partidos terão chapas competitivas que permitirão manter suas cadeiras atingindo o quociente eleitoral necessário”, disse.

Suplente que assumiu vaga na Casa com a eleição de Salmito Filho para a Assembleia Legislativa, Eron Moreira (PP) informou ao Blog do Edison Silva que a tendência é que todos os vereadores com mandato e demais suplentes irão para a disputa.

“Em minha opinião haverá uma renovação grande na dependência das novas regras, sem as coligações, algo em torno de 40%, bem menos que em 2016, que foi em torno de 60%”, afirmou.