Ciro Gomes (PDT) disse que depois de ser presidente da República, gostaria de encerrar sua carreira política como vereador de Sobral. Fotos: Ocely Lopes/Blog do Edison Silva.

O ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), disse nesta quinta-feira (26), em palestra para vereadores reunidos em Fortaleza no Encontro Nacional de Legislativos Municipais, que o voto do eleitor nas eleições de 2020 será de protesto. Afirmou ainda que, segundo as pesquisas de opinião, a credibilidade das instituições políticas está igual a “cocô de galinha”. Ciro alertou para o ineditismo das eleições municipais do próximo ano quando não será permitido o agrupamento de partidos (coligações) para disputar as vagas nas Câmaras Municipais. O partido terá que ir sozinho.

Ciro Gomes sugeriu que o candidato a vereador seja transparente, direto e apresente ao eleitorado uma proposta concreta de mandato. Seja focado. “Nessa tragédia em que estamos vivendo, quem está salvando ainda o sistema democrático, como testemunhas diárias, como formiguinhas da democracia, são os vereadores e vereadoras”, elogiou.

“Claro que tem muito bons prefeitos, muito bons deputados, aqui e ali. Estou falando só da média de inteligência. E o vereador é aquele elemento da política, salvos decepções que há, mas por regra é o elemento que mantém um traço de confiança do povo. De maneira que eu tenho muito alegria, sempre que sou convidado, não deixo de atender nenhuma das convocações dos congressos de vereadores pelo Brasil à fora para falar com eles sobre essa importância, que eles talvez nem percebam ter, e mais ainda a importância de manter com fidelidade essa confiança do povo. Não prometer, não mentir, não enganar que é, enfim, a regra de respeitar a população”, afirmou na entrevista coletiva antes do evento.

Democracia em xeque

Sobre a conjuntura política nacional, Ciro Gomes disse que “a democracia brasileira hoje está em xeque“. E explicou o porquê: “Nós temos hoje, na estrutura superior da representação brasileira, um comportamento completamente alienado dos verdadeiros interesses da população. Pessoas eleitas, na sua esmagadora maioria pelo voto do pobre, vão a Brasília e votam contra o interesse do pobre. O exemplo mais cruel disso é o andamento atual da Reforma da Previdência mais a Reforma Trabalhista, todas iniciativas absolutamente selvagens contra a população de classe média e classe pobre do Brasil. Isso tudo faz com que a população, especialmente os jovens, esteja rápida e gravemente, perdendo a crença na política”.

Inferno nos Estados

“Aqui embaixo a vida do povo também se transformou num inferno: a violência campeia em todos os lugares. Em Fortaleza neste momento, por exemplo, estamos enfrentando mais uma vez a escalada terrorista de facções criminosas diante de uma lei que não entendeu essa mudança na organização do crime. Mas vamos vencer, isso ninguém duvide. Não demora muito a gente vai botar essa gente toda na cadeia ou no cemitério dependendo, claro, da forma com que eles vão reagir à ordem legal de prisão que estão recebendo. 55 já estão presos”, afirmou, reportando-se aos ataques registrados na última semana no Ceará provocados por facções criminosas.

Ciro Gomes só apresentou números negativos da economia: “O desemprego em massa atinge 14 milhões de brasileiros; a informalidade empurra para viver de bico, sem qualquer proteção, 42 milhões; e 63 milhões estão humilhados com o nome sujo no SPC. E a democracia brasileira é para onde a população olha”, concluiu.