Haley de Carvalho Filho, o atual procurador-Geral de Justiça do Ceará até o dia 6 de janeiro de 2026, foi nomeado, em 2023, pelo governador Elmano de Freitas, sendo o segundo da lista tríplice, portanto não foi o mais votado pelos promotores e procuradores de Justiça para o cargo de procurador-Geral. Haley poderia ser reconduzido ao cargo, para um novo período de dois anos, mas Elmano preferiu nomear um outro promotor de Justiça, Herbet Gonçalves Santos, também segundo na lista tríplice que lhe foi apresentada ao governador, no início do mês de dezembro. Será que o governador tem fixação pelo número 2?
Como não se conhece nenhum ato ou ação do atual procurador que tenha desabonado a sua conduta, ou a do Ministério Público estadual, no curso dos últimos dois anos, o natural seria que o governador Elmano o reconduzisse. Não o fazendo, como de fato não fez, deixa algumas perguntas no ar. O atual procurador-geral traiu a sua confiança, em quê ? Alguma questão institucional? Qual, ou quais? Resolveu mudar, só por mudar, o que em verdade pode legalmente fazer? Ou a pressão política, aliada com a de segmento do Judiciário, foi tamanha que o impeliu a mudar, deixando dúvidas sobre as razões ?
Uma dessa razões, ou ainda qualquer outra, foi ou foram determinante para, publicamente, o governador explicitamente, de forma rude, dizer que não mais convinha ao seu Governo, embora o Ministério Pública não exista para servir a governos, mas à sociedade. De todas, porém, entende-se que foi, em primeiro lugar, a pressão política da parte do ex-governador Camilo Santana, que se arvora dono da Procuradoria de Justiça do Estado. E em segundo, a pressão de segmento do Judiciário, no Tribunal de Justiça do Ceará, onde o pai do próximo procurador tem cadeira de desembargador, e nela ficará por vários anos ainda, no caso o desembargador Raimundo Nonato Silva Santos, e da parte do ministro do Superior Tribunal de Justiça, onde tem assento, também por mais alguns anos, o ministro Teodoro Silva Santos, tio do escolhido pelo governador Elmano de Freitas.
No ano eleitoral que começa, o governador provavelmente será cobrado sobre o seu ato que é legítimo. Ele não está legalmente obrigado a seguir a ordem de lista que lhe seja apresentada para escolher procurador ou desembargador, mas o fato de ele trocar um seu escolhido por um outro que sequer é primeiro preferido da categoria dos promotores e procuradores de Justiça, enseja questionamentos vários e pertinentes.
O fato está consumado, embora já seja objeto de críticas entre servidores do Ministério Publico e promotores. O sindicato dos servidores está sendo provocado a reagir. O novo procurador vai assumir o cargo no dia 6 de fevereiro. Ele terá a obrigação de fazer com que a sociedade mantenha o respeito a instituição.