Parlamentares do PSOL criticaram a aprovação do Plano Diretor com o chamado “emendão“. Foto: Reprodução/Instagram

A bancada do PSOL na Câmara Municipal de Fortaleza e na Assembleia Legislativa do Ceará criticou o prefeito Evandro Leitão (PT) sobre o processo de votação do “emendão” ao Plano Diretor Participativo da cidade. Os vereadores Gabriel Aguiar e Adriana Gerônimo, e o deputado Renato Roseno cobram veto do gestor às alterações feitas pelos parlamentares da Casa.

A matéria, porém, já foi publicada no Diário Oficial do Município, com dois vetos ao que foi aprovado na Casa Legislativa. O prefeito, porém, tem 180 dias para regulamentar todo o documento.

 

Em carta pública direcionada ao prefeito Evandro Leitão, os parlamentares lembram que há pouco mais de um ano eles dedicaram o apoio deles aí gestor no segundo turno da campanha “com absoluta convicção que era o melhor para a cidade”. “Não fizemos nenhum pedido de qualquer ordem, exigência ou condição. Pedimos abertura aos movimentos sociais e sugerimos agendas ambientais. Temos certeza que contribuímos para sua vitória. Nós e os movimentos populares que também se sentiram agora derrotados na votação do Plano Diretor”, disseram.

De acordo com eles, o processo do Plano Diretor é essencialmente um processo de disputa de classes. “São concepções de cidade que se opõem: ou uma cidade para dar lucro a quem já tem muito dinheiro ou uma cidade mais justa, mais verde e mais inclusiva. A derrota que sofremos essa semana não foi pequena”.

Os socialistas apontam que a base governista de Evandro aprovou a retirada de 26 zonas de preservação ambiental e 51 zonas de interesse social. “Estamos falando de uma cidade que já vem sendo muito destruída e desprotegida há décadas (veja a tragédia que foi a última gestão municipal) e uma cidade que precisa de muita habitação de interesse social. Fortaleza tem um abismo de desigualdade. Pior de tudo, Prefeito, foi o método. Dezenas de reuniões, recursos gastos em consultorias para participação na construção desse Plano Diretor, assembleias, tudo isso foi jogado no lixo com um “emendão” de seus 33 vereadores (que também não terão seus nomes esquecidos por nós)”.

O texto diz ainda que o prefeito escolheu se opor aos movimentos sociais, populares e ambientalistas. “Preferiu atender com o pior método possível a sanha ambiciosa daqueles que pensam serem os donos da cidade. Nos sentimos enganados”.

O texto aponta também que não adianta o prefeito procurar o PSOL em ano de eleição em uma suposta luta contta a extrema-direita. “No momento decisivo, não somos sequer recebidos enquanto os poderosos resolvem as coisas por mensagem de celular. Sabemos como esses processos se dão. O senhor perdeu uma grande chance de deixar uma cidade mais justa e mais verde para quem mais precisa. Escolheu se afastar dos que mais amam a cidade. Escolheu se aproximar de quem não gosta da cidade. Há uma última oportunidade: voltar atrás e vetar esse absurdo do “emendão”. Seria o mais correto e coerente com o futuro da cidade”, defendem.