Reginauro cobra empenho da Justiça Eleitoral para minimizar eventuais prejuízos causados pelo envolvimento de facções nas eleições. Foto: ALECE

O avanço das facções criminosas em diversos setores da sociedade cearense tem revelado o quanto o crime organizado está cada vez mais envolvido em ambientes de poder no Estado. Diante dessa situação, o líder do União Brasil na Assembleia Legislativa, o deputado Sargento Reginauro afirma que políticos ligados ao tema da Segurança Pública sairão em desvantagem, pois estarão impedidos de fazer campanha em algumas áreas. Ele pede empenho da Justiça Eleitoral para evitar que o trabalho dos candidatos sejam inviabilizados.

Nos últimos pleitos não foram poucos as denúncias de casos de violência e cancelamento de atividades de ruas por conta de ameaças feitas por grupos criminosos no Ceará, em especial na Capital e Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). De acordo com Reginauro, o Ministério Público (MP) já apontou o envolvimento de ao menos 50 lideranças políticas com facções criminosas, destacando que prefeitos foram cassados e estão ou foragido ou preso devido a esse tipo de situação.

“Já solicitamos ao Ministério Público a relação desses políticos, porque é de nosso total interesse. Até que se apareça a lista dos 50 nomes não tenho como dizer que meu nome está lá ou não. O povo cearense precisa ter interesse nessa pauta. Não é admissível que um promotor vá a público e diga que existem 50 políticos cearenses envolvidos com o crime organizado”, pontuou.

Ainda de acordo com o parlamentar, alguns prefeitos deixaram de assumir ou estão foragidos, com inquérito apontando o envolvimento de deputados estaduais e federais. “A gente precisa saber quem são, porque há uma preocupação de que isso seja equacionado o quanto antes”, defendeu.

Segundo Reginauro, estamos em um ano pré-eleitoral e a campanha do próximo ano será difícil, pois em sua avaliação ela revela o financiamento de eleição de gestores. “Imagine como vai ser na periferia, na Região Metropolitana. Como vou entrar em áreas dominadas pelo crime? Nós, políticos relacionados com o tema da Segurança Pública, já saímos em desvantagem, sem podermos fazer campanha livremente”, disse.

O opositor afirmou que as facções criminosas “cobram pedágio” para se fazer campanha em determinadas áreas, e algo deveria ser feito pela Justiça Eleitoral para se ter um pleito justo. “Estaremos submetidos a colocar no Poder Legislativo e Executivo pessoas que tenham autorização do crime para fazer política,e isso é impensado. Há uma preocupação nossa de que isso seja equacionado o quanto antes. A Justiça Eleitoral precisa fazer parte desse debate”.

Federação

Sobre denúncias recentes envolvendo as duas maiores lideranças da Federação União Progressista, Antônio Rueda (União) e Ciro Nogueira (PP), Reginauro afirmou que isso faz parte do jogo político. Segundo ele, estranhamente os casos vieram à tona justamente quando os partidos anunciam a saída do Governo Federal.

“Depois aparece que o piloto que denunciou é militante do PSOL e fez acusações sem comprovação. Isso ganha capa da imprensa nacional para gerar desgaste desnecessário. Quem fizer oposição neste País tem que estar preparado para esse tipo de coisa”, apontou.