O deputado se disse envergonhado com o voto do ministro Fux. Foto: ALECE

Enquanto bolsonaristas, como o deputado federal André Fernandes (PL-CE), comemoraram o voto do ministro Luiz Fux no processo da trama golpista, onde ele votou pela absolvição do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), petistas criticaram o posicionamento do magistrado. Durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa, nesta quinta-feira (11), o deputado Missia Dias chamou a decisão de Fux de “uma vergonha” e apontou falhas no julgamento feito por ele.

“O voto do ministro Luiz Fux ficou na história, porque foi um depoimento que iniciou às 8h, com fim às 21h, e justificou o injustificável. Ninguém entendeu o que ele queria dizer por absolver Bolsonaro, o mandante, e condenar Mauro Cid, o ajudante. A conta não fecha”, pontuou.

Segundo ele, enquanto puniu o lado mais fraco, o ministro protegeu os mais ricos. “O Mauro Cid era o ajudante e o Bolsonaro era o chefe. O ajudante fazia o que o chefe mandava, é como se fala no interior: você protege os mais ricos e condena o ladrão de galinha. Fiquei envergonhado com o voto, por faltar coerência e o fundamento jurídico dele estar desconectado. Foi um voto mais político do que jurídico”, avaliou.

Preocupado com a repercussão do processo nas eleições de 2026, Dias alertou a população para que avalie de perto os eventuais candidatos, destacando que o povo deveria estar do lado da verdade. Ainda segundo ele, o ex-presidente, ao invés de defender e cumprir a Constituição, resolveu atacá-la durante seu mandato.

Ilegalidades

“O fato de ser um presidente ou ter uma posição de poder não dá o direito de ferir a Constituição Federal, fazer o nosso povo de besta e achar que, devido ao poder, pode tudo. Nós temos o STF e a sociedade brasileira, que também julga aqueles que cometem ilegalidades”, advertiu.

O deputado Cláudio Pinho (PDT), apesar de estar na oposição, corroborou com o colega petista, afirmando que o ministro Luiz Fux demonstrou incoerência ao condenar os manifestantes pelos atos de 8 de janeiro de 2023 e absolver Jair Bolsonaro. O magistrado votou favorável à condenação de pelo menos 400 presos envolvidos nos ataques às instituições constituídas na praça dos Três Poderes.