Evento contou com maioria de representantes de esquerda. Silvana pautou temas mais conservadores. Foto: ALECE

A Assembleia Legislativa do Ceará foi palco de discussão do Seminário Estadual sobre o Plano Nacional de Educação, que discutiu o futuro da área pelos próximos 10 anos. No entanto, o que chamou a atenção foi a participação da deputada Dra. Silvana (PL), que durante sua participação foi vaiada e interrompida por sindicalistas ligados aos trabalhadores de Educação.

Além de Silvana, participaram, ainda, do evento o deputado federal Moses Rodrigues (União-CE), o prefeito de Sobral Oscar Rodrigues, além dos deputados estaduais Acrisio Sena (PT), Guilherme Sampaio (PT), Sérgio Aguiar (PSB), Marcos Sobreira (PSB),  a vereadora Adriana Almeida (PT), o deputado federal José Airton Cirilo (PT) e o deputado federal Dr. Jaziel (PL-CE).

A plateia era formada, majoritariamente, por representantes dos professores ligados ao Sindiute, sindicato que representa os professores de Fortaleza. Outras autoridades também estiveram presentes ao seminário. O que gerou incômodo nos presentes foram as três perguntas feitas por Dra. Silvana, que foram encaminhadas para a comissão especial que apresentará o plano nacional de educação.

Dra. Silvana questionou sobre termos como “diversidade” e “direitos humanos”, que segundo ela,  servem como base “para a promoção de ideologias de gênero, desconstrução da identidade biológica e relativismo moral dentro das escolas públicas”. Neste momento, a parlamentar recebeu as primeiras vaias, e teve que interromper o discurso para pedir respeito.

Ela também quis saber qual seria a base legal e técnica para a inclusão do termo “preconceito de idade”, e como o MEC pretende evitar que essa expressão seja interpretada de maneira a relativizar os limites de proteção legal à infância. Silvana também questionou o que chamou de “ações invasivas e coercitivas” da chamada busca ativa na educação infantil contra pais que optem por não matricular seus filhos em creches.

Ao ouvir as vaias, a deputada disse não ter medo de “cara feia, nem careta, nem grito. Eu como com farinha. Quem tem educação é preciso saber ouvir. A deputada aqui sou eu, a representante do povo sou eu. 83423 votos e bem firmados”. Nesse momento, os presentes passaram a gritar “sem retrocesso” e “sem anistia”, e só pararam quando o deputado Marcos Sobreira interveio junto a eles.

Dra. Silvana também destacou que seu marido, o deputado federal Dr. Jaziel faz parte da comissão de Educação na Câmara Federal, e da comissão especial do Plano Nacional de Educação, e que ele estará analisando e auxiliando na elaboração e finalização do plano. “Eu digo com tranquilidade, porque que temos voz na Assembleia Legislativa e o Dr Jaziel está em Brasília para o terror da esquerdalha. Eu fui chamada para essa disputa enérgica que eu amo fazer. Temos vez e voz. É ela aqui e ele lá, e tome aqui”, atacou.

Criança

Em sua participação, Dr. Jaziel destacou que o Brasil vai entregar um plano de Educação que estará vigente por 10 anos buscando “educar, sem pegadinhas”. “Que seja um plano que tenha interesse em que a criança aprenda. Que não tenha educação mascarada, porque o Brasil está cansado de querer ser o país do futuro. Vamos ser, pelo menos, o país do presente”.

Representante do Sindiute, a dirigente Ana Cristina lembrou o drama que professores passam diariamente em creches e escolas superlotadas, com crianças neuro divergentes, sem o devido apoio. Segundo ela, o ideal seria a construção demais equipamentos e educação para reduzir a superlotação em salas de aula, mas para isso seria necessário orçamento. “Eu discuto com quem quer que seja. Essa discussão de direita e esquerdalha eu não sei fazer, porque não está no meu nível. Faço ideologia de responsabilidade social no Estado, contra o abandono social”, disse.