De volta à Assembleia, Heitor Férrer é o deputado de oposição mais experiente na Casa. Foto: ALECE

Buscando se diferenciar de outros quadros da oposição na Assembleia Legislativa, o deputado Heitor Férrer (União) atua destacando erros, mas também reconhecendo alguns acertos da gestão. No entanto, o parlamentar vem demonstrando incômodo com a situação da desigualdade social no Ceará, um problema crônico, ainda sem uma ideia de solução nos próximos anos.

Segundo ele, por mais que haja avanços em setores diversos nas recentes  gestões, muito disso ainda não é sentido pela maior parte da população. Em sua avaliação, as cobranças feitas pelos parlamentares é algo inerente à função, independentemente de que lado esteja no embate ideológico-partidário. Estando na oposição ou base, é dever do deputado cobrar e representar os anseios da população.

Ferrer defendeu a necessidade de cobrar quando algo está deficiente. Segundo ele, é o que acontece na Universidade Estadual do Ceará (Uece), onde estariam faltando professores, por mais que haja pessoas aprovadas em concurso esperando a convocação. “Quando cobramos isso, não estamos criticando o Governo de maneira inconsequente. Estamos fazendo porque é necessário que essa universidade faça parte desse leque de coisas boas do Estado”, disse.

O opositor destacou que, por mais que o Ceará esteja entregando novos hospitais ao longo dos últimos anos, a população ainda espera por leitos e cirurgias, e isso deve ser cobrado. Da mesma forma, ainda que o Estado tenha um Produto Interno Bruto (PIB) crescendo mais que a média nacional, as famílias cearenses “têm o segundo pior salário do Brasil”. “O estado do Ceará nada, nada, e morre no seco. Pois famílias que não têm sequer um salário mínimo como renda domiciliar é deplorável”, lamentou.

Conforme defendeu, “é preciso sempre lembrar que há um segmento da sociedade que não está inserido nessa ilha. Nosso papel em defesa desses é levar a público suas demandas através desta tribuna popular. Nós temos que levar a público para o Estado saber que o Governo saiba que não estamos acomodados com esses dados, mas que temos que cobrar por quem está no perverso mundo da desigualdade social”.