O deputado Cláudio Pinho destacou as falas do presidente do TRE sobre a violência no Ceará. Foto: ALECE

O tema segurança pública voltou a ser debatido na tribuna da Assembleia Legislativa, na manhã desta quarta-feira (26), após o deputado Cláudio Pinho (PDT) levar ao Plenário 13 de Maio as falas do presidente do Tribunal Regional Eleitoral, desembargador Raimundo Nonato Silva Santos, na noite da última sexta-feira (21), durante o 2º Congresso Regional Eleitoral do Cariri, em Juazeiro do Norte, quando ele afirmou que “o Estado legal foi engolido pelo Estado marginal” no Ceará.

Segundo Pinho, a fala de uma autoridade estadual desse porte revela a “falência do Estado” no combate à violência. “Essa é a realidade do que está acontecendo no Ceará, com as drogas e as facções avançando a passos largos”, ressaltou.

Para o parlamentar, é preocupante a situação do Estado diante do avanço da violência e do controle do crime organizado. “Aonde vamos chegar com tamanha violência, com um estado paralelo atuante, a ponto de o presidente de um Tribunal dizer que o ‘estado marginal’ tomou conta do Estado”, avaliou.

Ainda de acordo com o deputado, é necessário que os poderes estabelecidos tenham um norte em relação à segurança pública e as autoridades tenham pulso firme para o enfrentamento ao crime organizado. Ele citou os pedidos de intervenção federal no Ceará, mas apontou que isso pouco teve resultados positivos no Rio de Janeiro, onde ações desse tipo já foram realizadas.

A deputada Dra. Silvana (PL) destacou que a insegurança é um assunto que tem “apavorado e envergonhado” o Ceará. “Nós, enquanto Parlamento, não podemos fingir que nada está acontecendo. Precisamos chegar junto e cobrar que o Governo do Estado nos tire dessa vergonha. Defendo que o secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, Roberto Sá, venha a esta Casa debater essa pauta conosco”, assinalou.

Sargento Reginauro (União) lembrou de falas do governador Elmano de Freitas em defesa dos policiais, afirmando que elas tratam-se de um discurso vazio, “pois nunca houve preocupação com a corporação. Governador disse publicamente que, se tiver que tombar alguém, que tombe um bandido. Mas infelizmente isso não condiz com a realidade. Quer proteger a polícia, proteja em vida e após a morte. Tome ciência da realidade deles e proteja suas famílias, não deixe as viúvas passando necessidades, como estamos vendo diariamente”, criticou.

O deputado Felipe Mota (União), por sua vez, defendeu a necessidade de fortalecer políticas públicas para combater a criminalidade no Ceará. Segundo ele, a sociedade não se sente segura e o aumento da insegurança é crescente. “O governador Elmano de Freitas afirmou que existem empresários aliados ao crime. Peço que ele divulgue o nome dessas empresas. Fazer acusação sem provas não adianta. Não queremos comprar serviços de criminosos”, enfatizou.

Felipe Mota explicou a necessidade de buscar diálogo com as lideranças municipais para ouvir cada representante. “Eu recebo demandas todo dia. Gostaria de olhar para as demandas do agronegócio, dos empreendedores, mas não posso ficar em silêncio. As pessoas clamam por segurança”.

O deputado frisou também que a segurança pública tem impacto direto na economia, indústria, turismo e demais áreas. “O governador mostrou que não está acuado. Isso é bom, mas precisamos de ações. O professor e desembargador Raimundo Nonato afirmou que o estado marginal está vencendo o estado legal. É um representante do Poder Judiciário fazendo essa fala”, lamentou.