
Comparação de Lula a Bolsonaro pode desgastar ainda mais a relação de Ciro com a militância petista. Foto: Reprodução/Twitter.
Depois dos ataques sofridos no sábado (02/10), durante evento na Av. Paulista, em São Paulo, o presidenciável Ciro Gomes (PDT) propôs uma trégua com a militância petista. No entanto, após a defesa da pacificação, o pedetista publicou vídeo em que compara o ex-presidente Lula, principal liderança política do PT, ao presidente Jair Bolsonaro, afirmando que os dois se movem pelo ódio e que estariam contaminando o Brasil.
No vídeo, publicado na manhã desta quinta-feira (07/10), Ciro diz que o ódio gera ódio e que “o choque de dois grandes inimigos políticos que se movem pelo ódio vai além da luta mortal entre os dois. Arrasta junto amplos setores da sociedade”. Ainda de acordo com ele, é preciso “evitar essa tragédia para o Brasil”, e como solução defende que o eleitorado não vote em Bolsonaro nem em Lula.
“O ódio que Bolsonaro e Lula alimentam um contra o outro está contaminando o Brasil. Para evitar a continuidade dessa tragédia, é preciso dizer não a um e ao outro”, afirmou. No domingo passado, um dia após ser hostilizado na Av. Paulista, Ciro Gomes afirmou que suas divergências com o PT têm se aprofundado a cada dia.
Ele destacou que os ataques sofridos, apesar de desagradáveis, são irrelevantes diante dos problemas enfrentados pelo Brasil. “Nós estamos propondo uma amplíssima trégua de Natal. Não tem nas guerras por aí afora, onde se faz até dois dias de trégua? Quando o assunto for Bolsonaro e impeachment, a gente deve esquecer tudo e convergir para esse consenso, que já não é fácil”, defendeu.
As falas e ações de Ciro Gomes têm gerado amplo debate na Câmara Municipal de Fortaleza nesta semana. Na sessão ordinária desta quinta-feira (07/10), mais uma vez o tema voltou a ser pauta entre vereadores aliados do pedetista e de oposição.
Julierme Sena, Sargento Reginauro e Márcio Martins, ambos do PROS, assim como Carmelo Neto (Republicanos), voltaram a criticar o temperamento do líder pedetista, que segundo eles, tem ocasionado prejuízos para Ciro. Os parlamentares defenderam que o presidenciável saia da vida pública e destacaram que não haverá unidade no campo da esquerda. Os vereadores indagaram por que a maioria dos parlamentares filiados ao Partido dos Trabalhadores fica calada diante das críticas de Ciro Gomes.
Coube aos vereadores Adail Júnior, Júlio Brizzi e Gardel Rolim, do PDT, fazerem a defesa de Ciro Gomes. Segundo eles, a oposição não encontra pontos mais graves para criticar o pedetista, como atos de corrupção, e levanta algumas questões de menor gravidade. Eles também fizeram um paralelo entre os feitos de Ciro e do presidente Jair Bolsonaro ao longo da vida pública.