
Capitão Wagner realizou coletiva de imprensa na quarta-feira (16) para anunciar o ingresso dele e do grupo político ao UB. Foto: Miguel Martins.
O deputado federal Capitão Wagner (PROS) pode filiar-se ao União Brasil no próximo dia 22 em solenidade programada para as dependências da Assembleia Legislativa do Ceará. Até o fim da tarde desta quinta-feira (17), ainda não estava oficializada a indicação do deputado para presidir a Comissão Provisória do partido no Estado.
Wagner tem declarado que já está acertado que ele comandará o partido. Ainda na quarta-feira (16), em entrevista coletiva, o parlamentar deixou claro que está tudo resolvido, mas a base governista, que defende o nome do senador Chiquinho Feitosa, ex-presidente estadual do DEM, para ficar com o controle do União Brasil, contesta que a direção nacional já tenha nomeado Wagner como presidente da Comissão Provisória.
Na propaganda do evento de filiação da próxima terça-feira (22), nada é dito sobre a filiação do próprio Wagner, embora até lá a direção nacional do partido possa ter uma decisão sobre o controle da agremiação no Ceará. Wagner não tem falado sobre a possibilidade de ele não vir a ser o presidente estadual da nova sigla, mas correligionários seus admitem que ele só assinará a ficha de filiação se tiver o controle total do União Brasil. Tudo isso, porém, terá que estar concluído até o dia 2 de abril, data limite das filiações partidárias.
O parlamentar, pretenso candidato ao Governo do Estado do Ceará, afirmou já ter visitado ao menos 150 municípios cearenses, desde o ano passado, e acredita que um postulante governista, lançado de última hora, não conseguirá chegar a mesma quantidade de cidades que ele visitou.
A única exceção, conforme afirmou Wagner, deve ser a vice-governadora Izolda Cela (PDT), que a partir de abril assumirá o Governo do Estado e poderá incursionar pelos principais municípios cearenses. Ela, inclusive, já tem andado em muitas regiões do Ceará ao lado do governador Camilo Santana (PT), que deixa o cargo no fim deste mês, para se dedicar à candidatura ao Senado Federal.
“Uma candidatura do Governo que é colocada de última hora, com exceção da vice-governadora, não terá condição de fazer o que a gente fez, de estar em todos os locais que a gente já esteve. Não estou preocupado com adversário, a preocupação é apresentar o melhor projeto para o Ceará”, afirmou o dirigente.
Segundo ele, o União Brasil lhe dará tempo de TV de apresentar as propostas à população, principalmente, para áreas problemáticas do Estado, como a Segurança Pública e Saúde, além da geração de oportunidade para juventude que não trabalha ou estuda. “Nossa candidatura chega sólida em agosto e a gente espera que dê certo”, disse.
Questionado sobre as falas do governador Camilo Santana, que em coletiva na semana passada, afirmou que o postulante foi responsável por dois motins da Polícia Militar no Estado, Capitão Wagner afirmou que o chefe do Poder Executivo não tem respostas para os problemas da Segurança Pública e busca apontar responsável para o fracasso da área.
“Em 2017, tivemos mais de 5 mil homicídios e não teve movimento da categoria. Tivemos o Ronda do Quarteirão que foi um fracasso, a ampliação do RAIO não obteve objetivo. O atual governador delegou para a vice a história do Ceará Pacífico e os números falam por si”, apontou.
Cenários
Segundo Wagner, em nível nacional há uma redução no número da violência, enquanto que o Ceará tem se destacado negativamente. “O desespero de quarta-feira para cá é grande, tanto que eles escalaram uma pessoa para bater em mim. Foi o governador, um deputado, o senador, um ex-prefeito e até um candidato a presidente da República está incomodado comigo. Tem algo acontecendo. Será que é porque eles sabiam que o União Brasil viria com a gente ou são as pesquisas internas?”, questionou.
Ainda de acordo com o pretenso postulante, as eleições ao Governo do Estado deste ano podem ter dois desenhos. Um dos cenários, com candidaturas ao Executivo do PDT, PSOL e União Brasil pode ser resolvido no primeiro turno. No entanto, havendo pulverização de candidaturas, assim como ocorreu em 2020 em Fortaleza, a eleição só seria resolvida no segundo turno.