Direção da OAB nacional pede ao Supremo Tribunal que proíba a criação de novos cursos de Direito - Blog Edison Silva

Direção da OAB nacional pede ao Supremo Tribunal que proíba a criação de novos cursos de Direito

A ação é assinada por Felipe Santa Cruz e outros dirigentes. Foto: Eugênio Novaes/OAB.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil ingressou nesta sexta-feira (08) no Supremo Tribunal Federal com Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental solicitando liminarmente que o MEC suspenda a abertura de novos Cursos de Direito em instituições privadas enquanto persistir o estado de calamidade pública.

A entidade também pede que sejam anuladas as autorizações já concedidas, caso os cursos ainda não estejam em funcionamento, e a suspensão de abertura de novas vagas em graduações já existentes. A ADPF já foi distribuída. O relator será o ministro Ricardo Lewandowski.

Segundo a entidade, apenas entre 2 e 29 de abril foram autorizados 22 novos Cursos de Direito, com oferta de 2.975 vagas. “A autorização de quantitativo tão expressivo, quando tanto a oferta regular dos cursos presenciais quanto as condições para avaliação dos processos de autorização estão prejudicadas, apenas reforça a já descrita ‘senha autorizadora’, repetidamente comprovada ao longo desse período”, afirma o documento.

Ainda segundo a ADPF, as autorizações representam “frontal descumprimento à exigência constitucional que condiciona a prestação de serviços educacionais pela iniciativa privada à garantia de qualidade, a ser aferida pelo Poder Público […] Também resta configurada violação do dever do Estado, em especial do Ministério da Educação, de regular, avaliar e supervisionar a educação superior, conforme determinado pela Constituição e detalhado pela legislação de regência”.

Estado de coisas inconstitucional
A OAB solicita, ainda, que seja declarado estado de coisas inconstitucional (ECI), de modo a possibilitar a adoção de medidas estruturais de reforma do ensino jurídico.

“Está plenamente caracterizada a ocorrência de violações sistemáticas à garantia de qualidade dos cursos superiores em Direito. Como a peça demonstrou a exaustão, a proliferação de cursos jurídicos tem ocorrido em detrimento da qualidade, o que se confirma pelo baixíssimo desempenho discente no Enade e no Exame da OAB.”

O documento é assinado por Felipe Santa Cruz, presidente nacional da OAB; Marcus Vinicius Furtado Coêlho, presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais; José Alberto Simonetti, secretário-geral e coordenador das Comissões da OAB; Marisvaldo Cortez Amado, presidente da Comissão Nacional de Educação Jurídica; Ana Beatriz Ferreira Rebello Presgrave, da Comissão Nacional de Educação Jurídica; e pelos advogados Guilherme Del Negro Barroso Freitas e Claudia Paiva Carvalho.

Fonte: site ConJur.

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