Cerimônia de tombamento do campo de concentração de Senador Pompeu aconteceu no último sábado (20), no interior cearense. Foto: Ascom/Divulgação.

No último sábado (20), foi oficialmente tombado como patrimônio histórico-cultural municipal o Sítio Arquitetônico do Patu, com pouco mais de 9 km², no município de Senador Pompeu, na região do Sertão Central do Ceará. O local ficou conhecido como campo de concentração que abrigou retirantes que fugiam da grande seca da década de 1930, impedindo-os de abandonarem suas cidades e chegassem à Capital.

Em conversa com o blog, o deputado estadual Queiroz Filho (PDT) afirmou que o tombamento serve também para que se amplie a discussão da questão da seca no estado. “Seca sempre vai existir, mas a gente tem que saber conviver com ela, com obras como a Transposição do Rio São Francisco, mas também em um projeto mais inovador, que seria a dessalinização da água do mar, que o prefeito Roberto Cláudio e o governador Camilo Santana já estão trabalhando, pensando nessa possibilidade para a gente não essa escassez de água. E também do impacto que isso teve em Fortaleza, por exemplo, porque dois campos de concentração existiram aqui no município de Fortaleza, e isso gerou duas comunidades, do Pirambu e do Alagadiço, e a favela dos Trilhos, por exemplo, que já passaram a existir, desde 1932, de forma desigual, sem a mesma compreensão que houve pelas áreas mais nobres dessa cidade”, explicou o parlamentar.

Dos sete Campos que foram erguidos no Estado, o de Senador Pompeu é o único que ainda possui, em pé, diversas edificações. Na zona rural da cidade, foram edificadas duas casas de pólvora, um armazém, um hospital, uma usina, um cemitério, uma inspetoria, quatro casas de apoio e uma estação de trem. Estima-se que essas áreas chegaram a receber mais de 16 mil pessoas. Com o tombamento, todos os prédios serão preservados e restaurados.

Os campos de concentração

Este Campos eram justificados pelo governo da época como locais onde seria garantida a alimentação e a assistência médica aos que fugiam do sertão rumo à capital cearense. No entanto, o objetivo real era frear a chegada dessas pessoas à capital, Fortaleza. Depois de instalados nesses locais, essas pessoas eram impedidas de sair e, quem tentasse fugir, perseguido. Muitos flagelados da seca morreram na região.

Até hoje o local é visitado e anualmente acontece uma romaria, chamada “Caminhada das Almas”, que reúne desde 1982 centenas de pessoas em homenagem à memória dos sertanejos que vivenciaram essa época.

Relembrar o passado para não repetir os erros

Presente na cerimônia do último sábado, o deputado Queiroz Filho destacou a importância de conhecer a história do estado, mesmo em casos nada felizes como esse. O parlamentar lembrou ainda que a Assembleia Legislativa do Ceará estava fechada na época, tendo sido destituída na Era Vargas.

Para Queiroz, o poder público precisa investir nas áreas mais carentes para que haja uma real coletividade nas cidades. “Os governos têm que se ater à área principalmente daquelas pessoas que mas precisam, para que a gente possa ter uma convivência, uma harmonia entre a sociedade, que tanto fala em coletividade, mas que infelizmente a gente ainda vê nesses dias momentos de desigualdade”, concluiu.

Deputado Queiroz Filho fala da importância de saber conviver com a seca: