Capitão Wagner e Kamila em visita à Câmara de Fortaleza, no primeiro turno da campanha. Foto: Miguel Martins.

Em entrevista após derrota nas urnas, Capitão Wagner (PROS) destacou o fortalecimento da oposição ao grupo liderado pelos irmãos Ferreira Gomes, Cid e Ciro, no Ceará. No entanto, em Fortaleza, apesar de sua coligação ter eleito 12 vereadores para a Câmara Municipal, ele terá dificuldades em manter esse grupo unido em torno de seu nome na Capital cearense.

É desafiador o candidato derrotado manter a bancada de oposição junta em torno de suas ideias. Logo após a eleição do primeiro turno deste ano em Fortaleza, dia 15 de novembro, conversas de bastidores na Câmara já davam conta de que metade desses candidatos apoiados por Wagner migraria para a base governista de Sarto.

Historicamente, há uma dificuldade para que bancadas oposicionistas tenham abrangência considerável na Casa Legislativa, o que deve se repetir na próxima Legislatura. Alguns nomes, menos ideológicos, tenderão a se manifestar em apoio a Sarto ou atuando de forma independente, uma vez que buscarão o Executivo para atender suas demandas locais.

Em 2016, a coligação que apoiou a candidatura de Capitão Wagner, formada por PR, PMDB, PSDB e Solidariedade, elegeu oito vereadores, enquanto que o PT de Luizianne Lins, elegeu dois, totalizando dez nomes na bancada de oposição à gestão do prefeito Roberto Cláudio (PDT). No entanto, no decorrer dos anos, alguns quadros se alinharam à gestão, o que fez com que os oposicionistas totalizassem apenas seis nomes na Casa, sendo três petistas e três do partido do republicano, o PROS.

Porém, desde o início da pandemia do coronavírus, e mais recentemente, os membros do Partido dos Trabalhadores, apesar das críticas pontuais ao Governo, passaram a ter uma postura de mais independência e de menos embate com a gestão. Por fim, o PT resolveu apoiar a candidatura de Sarto (PDT), no segundo turno da campanha.

Alguns vereadores, inclusive, estiveram nas ruas em defesa da candidatura de Sarto, como foi o caso de Larissa Gaspar, líder do PT na Câmara Municipal. A petista, que já fez parte da base governista de Roberto Cláudio, participou de atividades ao lado do vice-prefeito eleito, Élcio Batista.

Ao Blog do Edison Silva, Capitão Wagner afirmou que vai conversar com o grupo de vereadores que foi eleito por sua coligação destacando que através do diálogo tentará manter os oposicionistas unidos em um propósito comum. “A gente sentou, com muita tranquilidade, com os partidos. A gente vai tentar fazer uma oposição qualitativa, respeitosa, isso é muito viável”, disse.

Ele destacou que alguns vereadores foram eleitos de olho no pleito de 2022, quando querem tentar voos mais altos. Por conta disso, ajudou a montar alguns partidos no Estado, o que também pode ser garantido para as eleições gerais. Segundo afirmou, mesmo sem o apoio do Executivo Municipal para suas demandas, os opositores eleitos poderão ter suas solicitações atendidas através das ações de deputados federais em Brasília.

“A gente pode tentar atender as demandas através dos mandatos dos deputados federais e buscar fortalecer esse grupo, que é o segundo maior grupo político no Estado. Muitos que foram eleitos pensam em ser candidatos nas eleições de 2022, e da forma que ajudamos a formar os partidos agora, temos capacidade de fazer isso em 2022”, afirmou Wagner.

A coligação apoiada por Capitão Wagner, no pleito deste ano, conseguiu eleger cinco vereadores do PROS, dois do Republicanos, dois do PSC, dois do PMB e um do Podemos.

Veja os nomes dos vereadores eleitos apoiados pela coligação de Capitão Wagner

PROS
Julierme Sena
Márcio Martins
Sargento Reginauro
Bruno Mesquita
Inspetor Alberto

PSC
Priscila Costa
Erivaldo Xavier

Republicanos
Ronaldo Martins
Carmelo Neto

PMB
Welington Saboia
Germano Heman

Podemos
Danilo Lopes