Geraldo Luciano desistiu da disputa em Fortaleza antes do início da disputa eleitoral. Foto: Divulgação

Ao iniciar seu último ano de mandato o governo do Estado caminha para um fim melancólico. O sucesso ou fracasso de um governo é definido por cinco perguntas fundamentais: existe renda nos domicílios? Existe segurança nas ruas? Existe aprendizado nas escolas? Existe atendimento decente nos hospitais? Existe retorno para os impostos pagos? As respostas e essas perguntas nos levam a conclusão deque temos um governo falho.

De todas as estatísticas econômicas, a mais relevante é aquela que mostra a renda nas famílias, PIB, exportações, investimentos e produção industrial só importam se trazem mais renda aos domicílios. As famílias cearenses são a segunda da mais pobre do Brasil com renda média per capita de R$1210. No período 2022-2024 a renda das famílias do estado mais pobre, Maranhão, cresceu 20,2 por cento, três vezes mais que nosso crescimento de 6,9 por cento. Somos o segundo mais pobre e o que menos avança. O emprego informal e os beneficiários do Bolsa Família são superiores ao emprego formal no setor privado. Se a renda não chega nas famílias a economia não está cumprindo sua missão.

O direito à vida e de se locomover é o mais básico. No acumulado de 2023-2025 deveremos ter 9000 homicídios, cerca de nove mortes por dia. Mas que o dobro do número de mortes dos Estados Unidos na guerra do Iraque. O crime hoje no Ceará define onde se pode morar, circular, o que o empresário pode fazer e em quem o eleitor pode voltar. Temos que dar um basta a essa situação.

Um estado só tem futuro quando seus jovens têm perspectivas de evoluir na vida. Conseguiu um bom emprego, iniciar um negócio próprio, ter alternativas ao crime. infelizmente, estamos falhando vergonhosos amente com os nossos jovens. A escola pública não prepara para um futuro promissor. Os dados do sistema Estadual de desempenho dos alunos (SPAE-CE) mostram que ao final do ciclo do ensino médio, apenas um em cada 10 alunos tem nota adequada em matemática e dois em português. No final, 70% dos alunos tem nota muito crítica ou crítica em matemática e 44% em português. Como viabilizar emprega um futuro promissor jovens se eles não têm a menor chance de competir no mercado?

Nos hospitais o cenário é de guerra. A fila de atendimento é superior a 75.000 pacientes. No HGF o atendimento é feito nos corredores. Hospitais como São José são desativados e o milionário hospital Universitário funciona com menos de 50 por cento de sua capacidade. Não falta dinheiro pra fazer a obra, mas faltam recursos e gestão pra fazer o funcionamento e atender a população. O estado virou uma máquina de aumentar e arrecadar impostos. A inflação acumulada de 2023 até outubro de 2020 25 foi de 13,18%, já o crescimento da receita do governo foi de 27%, mais que o dobro. Além de cobrar muito imposto, o governo gasta mais, e as despesas cresceram 38% nesse mesmo período. Somos um estado com enorme potencial e com capacidade de colocar mais renda nos domicílios, mais segurança nas ruas, melhor aprendizado nas escolas, melhor atendimento nos hospitais, mais retorno para os impostos pagos. Precisamos de uma nova forma de governar. Dê um novo caminho.

Marcos Holanda é PhD em economia e ex-presidente do BNB;
Geraldo Luciano é conselheiro de empresas.