Djalma Pinto . Foto ALECE

Neste 6 de julho, o Brasil inteiro acordou sufocado, profundamente triste. Foi atingido no único ponto capaz de unir todos os seus filhos, superar dvergências e levá-los às lácrimas: o entoar vibrante do Hino Nacional antes de cada partida da seleção brasileira.

Nada, absolutamente nada, consegue unificar o país como a sua seleção. Tudo ganha novas cores. No semblante de cada cidadão, estampam-se a leveza,  a esperança e a expectativa da vitória. Na era  de ouro do futebol brasileiro, Nelson Rodrigues cunhou a expressão “A pátria de chuteiras” para traduzir o poder que a seleção  exercia de fazer fervilhar, no coração de cada pessoa, um sentimento de heroísmo, de orgulho e pertencimento nacional.

Como explicar tamanha decadência? A resposta é simples: a nossa Seleção tornou-se o reflexo de um país desorganizado, marcado pelo improviso, pelo desapreço ao trabalho e pelo abandono dos valores fundamentais, que sustentam a prosperidade e a felicidade de uma sociedade.

O time, abatido e sem formação definida no início da competição, espelha o atual estágio de deterioração do país, sob o comando de pessoas que disputam, sem constrangimento, um lugar de honra no pódio destinado aos agentes públicos mais indecorosos da República.

Muitos foram às lágrimas. Ficaram sem fôlego no momento em que foi sepultado  o sonho do hexa. Não basta, porém, chorar ou mergulhar na melancolia apenas quando a dor se instala. É preciso reconstruir a Nação com a energia, a competência e o compromisso daqueles que verdadeiramente desejam o melhor para o seu povo. Isso pressupõe trabalho sério e a escolha de pessoas competentes e honestas para dirigir a CBF e exercer funções em todas as esferas dos três Poderes.

Somente assim, na próxima Copa do Mundo, a Nação não despertará infeliz à procura dos culpados por décadas sem erguer uma taça, cuja conquista, tantas vezes, despertou orgulho e propiciou imensa  alegria a um povo que jamais perdeu a esperança de voltar a sorrir.

 

Djalma Pinto é advogado, ex-Procurador Geral do Ceará, Mestre em Ciência Política e autor de diversos livros, entre os quais Educação para a Integridade, Ética na Política, Distorções do Poder, Educação para a Cidadania, Cidade da Juventude,  Pesquisas Eleitorais e a Impressão do Voto; Marketing, Política e Sociedade