Há exatos 70 anos, o presidente Juscelino Kubitschek enfrentou uma insurreição armada na Amazônia que tentou derrubá-lo. Executada por militares da Aeronáutica em fevereiro de 1956, a Revolta de Jacareacanga durou 19 dias e chegou ao fim depois que as tropas do governo avançaram pela selva e sufocaram o levante.  Um civil morreu no conflito.

Os golpistas, no entanto, escaparam de responder a processos criminais e disciplinares porque, a pedido de JK, o Congresso Nacional lhes concedeu anistia.

Um dos líderes foi o major aviador Haroldo Veloso. Logo reintegrado às fileiras da Força Aérea Brasileira (FAB) graças à anistia, ele continuou conspirando contra JK e, em 1959, liderou uma nova tentativa de golpe de Estado, que também fracassou.

A rebelião de 1956 ganhou esse nome por causa de Jacareacanga, povoado do sudoeste do Pará que serviu de base para os revoltosos.

Documentos da época guardados no Arquivo do Senado, em Brasília, mostram que os senadores encararam a Revolta de Jacareacanga conforme seus posicionamentos políticos.

Para os apoiadores de JK, em especial os filiados ao PSD e ao PTB, a rebelião afrontava a democracia e buscava impor uma ditadura — era, por isso, inaceitável.

— Os aviadores pretendiam arrastar de reboque a opinião nacional, habilmente explorada por uma campanha demagógica que vem sendo insistentemente estimulada pelos interessados em implantar no país um regime de exceção — acusou o senador Vitorino Freire (PSD-MA).

Por sua vez, os senadores adversários de JK (principalmente os da UDN) minimizaram a gravidade do levante sob o argumento de que os jovens militares estavam apenas lutando por um ideal.

— No vale da Amazônia, alguns moços inspirados por nobres impulsos patrióticos estão talvez escrevendo uma página de abnegação, porém em prejuízo dos interesses da vida democrática do país. Não podemos condená-los — defendeu o senador Juraci Magalhães.

O presidente JK tomou posse em 31 de janeiro de 1956, e a Revolta de Jacareacanga estourou poucos dias depois, na noite de 10 de fevereiro. Naquela sexta-feira de Carnaval, dois aviadores — Veloso e o capitão José Lameirão — roubaram um avião militar carregado de armas do Campo dos Afonsos, uma base da Aeronáutica no Rio de Janeiro, e voaram rumo à Amazônia.

No Pará, os insurgentes dominaram os aeródromos da Serra do Cachimbo e das localidades de Jacareacanga, Itaituba e Belterra, além do aeroporto comercial de Santarém. Eles espalharam tambores de combustível e troncos de árvore pelas pistas para impedir o pouso dos aviões enviados pelo governo.

Num manifesto, os golpistas defenderam a derrubada ou a renúncia de JK sob três alegações:

  • O presidente estaria mantendo comunistas em postos estratégicos das Forças Armadas
  • A continuidade do general Henrique Teixeira Lott à frente do Ministério da Guerra (atual Comando do Exército) comprometeria a unidade dos militares
  • O governo estaria negociando a entrega do petróleo e outras riquezas minerais do Brasil a empresas estrangeiras

Fonte: Agência Senado