O deputado Heitor Férrer se colocou favorável ao processo contra Bolsonaro, enquanto seu correligionário, Sargento Reginauro, se colocou contra. Foto: ALECE

O Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou, nesta terça-feira (02), aquele que vem a ser o julgamento mais importante da história recente do Brasil. A ação, que envolve figuras da política e das Forças Armadas, como o presidente Jair Bolsonaro, repercutiu entre os deputados da Assembleia Legislativa do Ceará.

Enquanto os parlamentares do campo progressista destacaram a importância do julgamento em  curso, aliados do ex-presidente na Casa apontaram falhas e perseguição política a Bolsonaro. O deputado Sargento Reginauro (União) definiu o julgamento como “absurdo”, afirmando que Jair Bolsonaro, como ex-presidente, não deveria sequer estar sendo julgado pelo STF.

“Está muito claro que é um processo para tornar Bolsonaro inelegível, para dar continuidade ao Governo Lula. Não temos materialidade para configurar o gople. Não teve apoio de estrutura partidária, não teve apoio de governadores, de prefeitos, da imprensa, das Forças Armadas, oficialmente falando. Estamos falando de uma tenaativa de golpe ridícula”, disse.

Para ele, aqueles que cometeram depredações na Praça dos Três Poderes, no dia 8 de janeiro, deveriam ser punidos por crime de danos ao patrimônio público. Correligionário de Reginauro, o deputado Heitor Férrer (União) discorda do colega, afirmando que o processo contra Jair Bolsonaro chega ao final, nde o Supremo vai mostrar as provas que culminaram no 8 de janiero.

“Se planejava com o Exército devolver o poder para quem estava saindo, que tinha perdido nas urnas. O que se espera é justiça naquilo que está nos autos do processo”, apontou Heitor. “Estamos vendo um julgamento que se processa há vários meses, inclusive, com delação premiada de quem fez parte desse Governo”, pontuou.

Para o deputado Missias Dias (PT), o que se viu recentemente foi algo “assustador”, onde pessoas da classe política se achavam no direito de quebrar as regras para seus próprios interesses. “Foi assim com os bolsonaristas tentando conspirar no Brasil e fora, e querendo manter seus cargos para tentar influenciar seus interesses”, apontou.

Léo Suricate (PSOL) afirmou que o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro deve ser preso não só “pelo crime antidemocrático”, mas também pelos mortos durante a pandemia da Covid-19. “Pelos 700 mil mortos na pandemia, eu acho que o Bolsonaro tem que pegar uma cadeia”, afirmou.

Já David Vasconcelos (PL) afirmou não se envergonhar de defender Bolsonaro “até que prove o contrário e ele seja condenado por algum crime”. Bolsonarista, ele enalteceu a atuação do ex-presidente na pandemia de Covid-19, a partir de números divulgados pela imprensa. “Foram mais de R$ 626,5 bilhões investidos exclusivamente no combate ao vírus de Covid-19. Foram R$ 28 bilhões para aquisição de vacinas, aquisição de 600 milhões de doses em vacina. Auxílio emergencial: maior programa de assistência do mundo”.