Para Guilherme Bismarck, tema deveria ser nacionalizado visto inserção de facções em todo o território nacional. Foto: ALECE

A situação de violência em alguns municípios do Interior e em bairros da periferia de Fortaleza voltaram a pautar os discursos na tribuna da Assembleia Legislativa, na manhã desta quinta-feira (28). Enquanto a bancada de oposição cobrou, mais uma vez, efetividade para reduzir a criminalidade no Estado, governista destacou que o debate sobre a Segurança Pública deve ser nacionalizado.

O deputado Alcides Fernandes (PL) lamentou que o Ceará apareça como o estado mais violento do Brasil, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança 2025. Ele também pontuou que o Município de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), aparece como o Município mais violento entre aqueles com mais de 100 mil habitantes.

“Maranguape era conhecida como a terra do humorista Chico Anysio, uma cidade serrana, paradisíaca e pacata. Virou manchete por motivo triste, reflexo do desastre do governo do PT, que transformou o Ceará em um reduto do crime organizado. O Ceará se tornou três vezes mais atrativo para o crime organizado”.

Sargento Reginauro (União), que geralmente leva o tema à tribuna do Plenário 13 de Maio, destacou ação policial que apontou que o PCC controlaria ao menos 40 fundos de investimentos com patrimônio de mais de R$ 30 bilhões na Faria Lima. Para ele, a gestão do Governo Federal não apresentou medidas que possam reduzir o avanço das chamadas facções criminosas, e na sua avaliação o Brasil corre o risco de se tornar um “narco Estado”.

“O presidente Lula não apresentou políticas públicas para enfrentar as organizações criminosas. Isso não é um conglomerado, não é empresa multinacional, é uma organização criminosa investindo na bolsa. Essa organização é uma das maiores do País, que hoje tem seus tentáculos entrando no campo politico, já entraram na tecnologia, tem empresas vendendo gás, bets e agora a bolsa”, disse o parlamentar.

Em contrapartida, o deputado Guilherme Bismarck (PSB) afirmou que o debate sobre a Segurança Pública deve ser nacionalizado e não se resumir ao que acontece nos estados. “Entendo não ser responsável falar de segurança estadualmente porque a discussão não é clara e transparente, como o que se deve fazer para combater as organizações criminosas que hoje se desenvolvem de forma mais veloz”, sugeriu.

Facções

Ele citou o caso de um empresário assassinado em Petrópolis, no Rio de Janeiro, por não aceitar condições de uma facção criminosa, o que também tem sido registrado em municípios cearenses. “É um caso que tem acontecido em todo o Brasil. Não adianta debater estadualmente a estrutura das corporações, enquanto o problema é nacional, porque a atuação das facções é nacionalizada. O que aconteceu em Petrópolis acontece em outras cidades, independente de quem governa o Estado”.

Em sua avaliação, o governador Elmano de Freitas tem sido “implacável” com as facções criminosas, deixando a cargo das polícias Civil e Militar tomar as coordenações para tentar reduzir as áreas de influência desses grupos criminosos. “As polícias Militar e Civil têm trabalhado duro, por isso, reduziram, no primeiro semestre de 2025, os homicídios em 13%, isto significa 240 vidas preservadas.