Decisão contra ex-presidente dividiu opiniões no Plenário 13 de Maio. Foto: Divulgação

A 1° turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados dele réus por tentativa de golpe no Brasil. A decisão foi comemorada por parlamentares aliados do presidente Lula e criticada por bolsonaristas, na tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará.

De acordo com o deputado Renato Roseno (PSOL), ainda que não seja o julgamento de mérito, “só o fato de gente que sempre se achou acima da lei responder por seus crimes contra a democracia, num país desacostumado a punir a violência política, é notícia a se comemorar”. O parlamentar fez um relato histórico de outros golpes e tentativas de golpes que já aconteceram no País no passado.

“Estamos vivendo um momento histórico, quando a Polícia Federal, o Ministério Público e agora o Supremo traz à tona tudo. Não deve ter nada que venha atrapalhar a ampla defesa dos investigados. Mas que fique a lição pra ninguém tentar golpe ou tentar assassinar um presidente democraticamente eleito”, destacou Salmito Filho (PSB).

O deputado Acrísio Sena (PT) falou em nome da bancada petista, destacando que a posição do grupo “é que nenhuma anistia para os golpistas. O Supremo, por unanimidade, já declarou o falso messias como réu”, disparou.

De Assis Diniz (PT), por sua vez, afirmou que os dados apresentados pelo ministro Alexandre de Moraes mostram que apenas 2% tinham mais de 65 anos nos atos do dia 08 de janeiro. “Lá se cometeu cinco crimes, dentre eles abolição do estado democrático, golpe de Estado, organização criminosa… Estamos vivenciando as funções públicas funcionando e o Supremo julgando. Nossas instituições voltaram a funcionar”, defendeu.

Por outro lado, bolsonaristas na Casa Legislativa criticaram a decisão do Supremo, que por cinco a zero tornou Bolsonaro réu. “Quero lamentar o aceite de denúncia por um ex-presidente que está sendo julgado no STF, que não é a casa para ser julgado. Bolsonaro nem no país estava. É muita falta de conhecimento do que é golpe. Inquieta-me as falas e os pré-julgamentos. Vivemos tempos sombrios em nosso país”, lamentou Dra. Silvana (PL).

Para Alcides Fernandes (PL), a decisão do STF foi uma espécie de “tribunal de inquisição” contra Jair Bolsonaro, lembrando do atentado à faca que o ex-presidente sofreu durante a campanha eleitoral de 2018. “Nosso presidente Bolsonaro passou por um livramento. Há pouco tempo o QG do (deputado) André Fernandes foi vilipendiado. É só abrir a televisão que você vê a inquisição de um homem inocente. A única opção que nós temos é orar pela nação brasileira”, disse ele.

Outros parlamentares cearenses na Câmara dos Deputados e na Câmara Municipal de Fortaleza também se posicionaram sobre a decisão do STF. Líder do Governo Lula, José Guimarães publicou em suas redes sociais que “a democracia venceu”. Já o vereador Gabriel Aguiar (PSOL) afirmou que “a Justiça finalmente começa a alcançar quem planejou, arquitetou e agiu para destruir, violentamente, a democracia. O próximo passo é condenação e cadeia. Sem anistia para golpistas”.