Antônio Martins Filho, o Magnifico Reitor que fundou a Universidade Federal do Ceará (UFC), sem dúvida, se vivo fosse, não suportaria a emoção constrangedora, de ouvir as declarações, pobres e destoadas do ser e fazer acadêmico, posto que politiqueiras, de alguém, que hoje ocupa o importante cargo que ele tanto dignificou, a partir década de 1950 e até a de 1960. Paulo Elpídio de Menezes Neto, Reitor no início dos anos 1980, pelo comportamento ético, por certo está agora, como todos os demais que ocuparam o honroso cargo, deveras envergonhados de ter um ocupante do cargo, deslustrando a Academia, ao fazer papel de cabo eleitoral.
O Reitor, de qualquer das Universidades brasileiras, como cidadão, tem todo o direito de ter a sua preferência política, e até de manifestar-se publicamente, advertindo a sociedade da importância de votar bem, mostrando a necessidade de todos atentarem para os problemas da cidade, no caso desta eleição, ou do Estado e até do País, nas outras eleições, sem fulanização. Tomando partido, sua fala, vai para a vala comum dos velhos caçadores de votos.
O cargo de Reitor de Universidade Federal, embora seja indicado pelo presidente da República, não demissível ad-nutum. Ele tem mandato certo, portanto, o seu titular não precisa fazer coisas que denigram sua própria imagem, e à Instituição, para agradar o chefe que conseguiu a sua nomeação. Mesmo acreditando que o político pede muito, sem dúvida, pela mesquinhez do fato, não se acredita que o ministro da Educação tenha pedido ao senhor Reitor, que ele se apequenasse tanto e fizesse o vídeo, pedindo votos para um candidato a prefeito. E se tivesse a audácia de pedir, como um verdadeiro cidadão o Reitor deveria o ter repelido.
A comunidade universitária deveria fazer chegar ao Reitor, para não se apequenar, como ele, que a Universidade merece respeito, como sempre respeitada foi, ao longo dos últimos 70 anos. O Reitor não é o dono da Universidade, mas é quem fala por ela. Portanto, não deve fazer, enquanto representando-a, discurso em defesa de candidato, de time de futebol, de religião, ou outras questões de cunho personalíssimos.
Respeitemos a Universidade.