Djalma Pinto . Foto ALECE

No Tribunal da Relação de Coimbra, após a exposição do seu Presidente, em 10 de outubro de 2024, um historiador pediu a confirmação de um grupo de brasileiros sobre a veracidade da informação que recebera de que se uma pessoa deixasse sua sandália na praia para dar um mergulho, ao retornar já lhe teriam roubado esse objeto.
Não acreditava em tamanha degeneração social de um povo num país tão rico. Uma brasileira presente confessou-lhe já ter sido vítima de tal furto. A questão a ser enfrentada é como chegamos nesse nível de deterioração e o que fazer para reverter esse quadro tão vergonhoso para todos.
A primeira constatação irrefutável é que nossos governantes, sem exceção, falharam na educação do povo. Deixaram de oferecer bons exemplos para jovens em formação, desestimulando-os da compulsão pela subtração da coisa alheia.
Gastaram uma exorbitância de dinheiro público em publicidade oficial, sem nenhum caráter educativo. Ou seja, desperdiçaram a oportunidade de contribuir com a educação das crianças, estimulando-as ao cultivo da empatia e da solidariedade, para desestimulá-las de subtrair os bens alheios.
Quem nada fez para reduzir a criminalidade vexatória de nossas cidades, deveria ter vergonha de exercer ou ter exercido o poder em nome do povo. O passado está irremediavelmente perdido.

Aos novos governantes, que tomarão posse em janeiro, fica o grande desafio de investir todas as energias e criatividade na educação, garantir efetivo caráter educativo à propaganda institucional e formular políticas públicas para reverter essa situação vexatória de ninguém poder andar com um celular na rua.
Essa indesejável situação social não é praga do inferno. É consequência do desapreço de nossos gestores, que fazem o Brasil como um todo passar vergonha no mundo, por não garantir aos seus cidadãos sequer a tranquilidade para tomar um banho de mar sem risco de ser assaltado na praia.

Autor de diversos livros entre os quais O Direito e o comprovante impresso do voto, Ética na Política e Distorções do Poder