
Foto: SESA/CE.
O anúncio da mudança do Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar, em Fortaleza, para atendimento exclusivo da corporação Polícia Militar motivou debate, realizado ontem (03), de iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania (CDHC) da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), presidida pelo deputado Renato Roseno (PSOL).
Fundado em 1939, a unidade iniciou seu funcionamento como Hospital Central da Polícia Militar do Ceará (HPM/CE). Em 2011, o equipamento foi integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), vinculado à Secretaria de Saúde do Estado, ampliando atendimento para toda a população e aumentando no número de atendimentos.
Renato Roseno disse estar preocupado com o anúncio feito pelo governador do Estado, Elmano de Freitas (PT), de que a unidade de saúde deverá voltar a ser hospital de atendimento exclusivo da Polícia Militar do Ceará.
Com essa possível medida, segundo Roseno, poderá haver prejuízos para a população. Ele esclareceu que, ao ser incorporado ao SUS, o Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar passou a receber recursos do Ministério da Saúde, o que deixará de acontecer se o equipamento sair da rede do SUS. “Me parece que não foi uma medida devidamente estudada”, pontuou.
O parlamentar acolheu a sugestão apresentada durante o debate para que seja criado um Grupo de Trabalho integrando intersecretarias, para avaliar a viabilidade da mudança em questão. “Ao governador fica o apelo de que ele ouça mais a sociedade, os especialistas, os profissionais. Nós precisamos defender o SUS, precisamos defender a saúde pública, defender os equipamentos”, enfatizou.
O deputado Sargento Reginauro (União Brasil) reconheceu que há necessidade de um atendimento voltado para os policiais, mas entende que também há as necessidades da população. Ele também ressaltou que haveria dificuldade para a Polícia Militar manter o equipamento. “Queremos saber se a instituição vai dar conta de manter o hospital no nível que ele tem hoje, com as cirurgias que ele faz hoje. A gente já tem informação que o hospital é referência, por exemplo, na cirurgia de endometriose e que virou um hospital-escola. Então o que a gente quer é ter clareza das informações”, questionou.
Segundo o diretor de Assuntos Profissionais da Associação Médica Cearense, Gleydson Borges, o Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar realiza quatro mil cirurgias por ano e seria preocupante se deixasse de atender amplamente a população.
“A gente, como associação médica, realmente fica muito preocupado. Existe em torno de 57 mil pacientes na fila de espera para serem operados. Então você imagina perder em média 4 mil cirurgias por ano. E não são quaisquer cirurgias. São cirurgias que são muito especializadas, como cirurgia bariátrica. Eu gostaria de lembrar também que lá tem um centro referenciado para fazer cirurgia de endometriose, que é uma cirurgia altamente especializada, normalmente precisando de mais de um especialista”, frisou.
A diretora-Geral do Hospital e Maternidade José Martiniano de Alencar, Silvana Furtado Sátiro, ressaltou que não foi comunicada em nenhum momento sobre uma possível transferência do equipamento para atendimento exclusivo da Polícia Militar. Ela destacou ainda que o hospital faz atendimento secundário e que não tem condição de atender às demandas mais graves dos policiais.
Com informações da Alece.
Podia colocar essa postagem no Instagram para ser compartilhada por pessoas, como eu, que foram salvas pelo hospital José Martiniano de Alencar.