Larissa Gaspar culpou o fechamento de hospitais geridos pela Prefeitura de Fortaleza como culpado pela superlotação do setor terciário. Foto: ALCE

A situação dos hospitais públicos do Ceará norteou os debates entre base governista e oposição na manhã desta quarta-feira (01), na Assembleia Legislativa. Opositores criticaram o fechamento, por 12 horas, da emergência do Hospital Geral de Fortaleza, o HGF, enquanto os aliados do governador Elmano apontaram o fechamento de equipamentos de saúde pela Prefeitura como causador da superlotação do setor terciário.

A emergência do maior hospital público do Ceará só voltou a funcionar depois da grita de alguns deputados estaduais, inclusive, no próprio hospital e depois no plenário da Assembleia Legislativa. Deputados, numa visita de rotina, para acompanharem o funcionamento do Hospital Geral depararam-se com uma nota pregada na porta principal do hospital, anunciando o fechamento da emergência. A deputada doutora Silva, que é médica, escandalizou e a diretora do Hospital voltou atrás. Hoje (quarta-feira) uma nota oficial da secretaria de Saúde, nega o fechamento da emergência, mas a deputada Silvana arrancou a nota que estava pregada na porta e a exibiu no plenário da Assembleia.

Dra. Silvana (PL), em seu pronunciamento, cobrou uma nota pública do Governo do Estado para justificar a restrição de atendimento da emergência no equipamento de saúde. “É uma atitude completamente irresponsável e criminosa, porque a população não foi avisada com antecedência. Nem a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) foi avisada. É muito grave o que está acontecendo. A saúde está nas mãos de quem? Ninguém sabe de nada”, apontou.

Ela, juntamente com outros deputados de oposição, esteve na noite da última terça-feira (28), no HGF para averiguar uma denúncia que teria sido feita sobre o fechamento da emergência do local. De acordo com o comunicado interno, a suspensão dos serviços se deu por 12 horas.

O deputado Carmelo Neto (PL)  protocolou pedido de realização de uma audiência pública para tratar de problemas no Hospital de Messejana Dr. Carlos Alberto Studart Gomes, também conhecido como Hospital do Coração. O objetivo, de acordo com o parlamentar, é discutir com a sociedade, com as pessoas que são atendidas pelo hospital, com os profissionais e parlamentares as demandas e os problemas enfrentados pela unidade de saúde.

O líder do Governo, deputado Romeu Aldigueri (PDT), respondeu aos opositores sobre a situação dos equipamentos de saúde do Estado. Segundo ele, a triagem dos atendimentos realizada na última terça-feira (28/02) se deu para focar nos casos que se alinham com o perfil do hospital, que são os de alta complexidade.

“É importante lembrar que a carência da rede primária de atendimento, seja por qual motivo for, é que leva os pacientes a correrem para hospitais como o HGF, um hospital com foco na alta complexidade, com especialidades determinadas e que recebe pacientes de todo o Ceará”, disse.

Larissa Gaspar (PT) foi na mesma linha de Aldigueri e disse que a superlotação do HGF se dá pela situação de fechamento de hospitais de pequeno e médio portes de Fortaleza, que segundo ela, se encontram em situação precária. “Fortaleza concentra o maior número de habitantes do Estado e uma vez que esses hospitais menores estão fechados, obviamente a demanda dos maiores como HGF e IJF deverá aumentar a ponto de sobrecarregar. Ao todo, são sete hospitais fechados, entre Gonzaguinhas e Frotinhas. Para onde vocês acham que as pessoas estão indo? Juazeiro, Sobral? Claro que não”, justificou.

Hospitais

Coube a Missias Dias (PT) destacar os avanços na saúde do Ceará nos últimos anos. Segundo disse, o Estado é dotado de policlínicas, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e hospitais regionais para não superlotar as unidades de saúde de grande porte da Capital. “Filmar um hospital sem ir atrás dos fatos, não é justo. Precisamos buscar o motivo. Se existem sete hospitais de pequeno porte fechados, claro que o Hospital Geral de Fortaleza vai ficar superlotado”, assinalou.

Aliado do prefeito de Fortaleza, Sarto, o deputado Antônio Henrique (PDT) rebateu as críticas feitas à gestão da saúde na Capital cearense. “A população não quer saber de quem é a culpa, ela quer a solução. Enquanto a deputada Larissa Gaspar tenta culpar a prefeitura de Fortaleza, eu digo aqui que nenhuma capital do Nordeste possui 10 hospitais municipais, só a nossa. Somente na gestão do ex-prefeito Roberto Cláudio foram inaugurados 31 novos postos de saúde, além de seis UPAs na gestão do Sarto”, salientou.