Deputado federal Capitão Wagner recebendo o título de cidadania da Câmara Municipal de Acopiara. Foto: Ascom/Divulgação.

O deputado federal Capitão Wagner (PROS) aceitou, no último sábado (29), o lançamento de sua candidatura ao Governo do Ceará. Ele recebia o título de cidadania do Município de Acopiara (local de nascimento do prefeito de Fortaleza, José Sarto, responsável pela última derrota de Wagner) quando um correligionário lançou o seu nome. Nas redes sociais, no mesmo dia, ele publicou: “Nosso nome está à disposição, com muita alegria. Estou com sentimento de leveza muito grande para construir um projeto que seja capaz de libertar o Ceará. Libertar das facções, saúde pública de qualidade, educação e emprego”.

O político não frustra seus correligionários quando lhe é atribuído qualidade ou condições para disputar cargos majoritários da relevância como o de governador. E foi o que Wagner fez, aproveitando a oportunidade para preservar o senador Eduardo Girão (Podemos), candidato natural do grupo de Wagner ao Governo do Estado, até pela condição de, em caso de insucesso eleitoral, continuar cumprindo o mandato que vai até o início de 2027. Girão experimenta um momento muito difícil no Senado, atuando na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid.

Girão, ao longo do último mês, o de funcionamento da CPI, com a insistência de incluir governadores e prefeito no rol de investigados, tentando tirar o presidente Bolsonaro do foco da CPI, por sua conduta omissiva e o discurso negacionista prejudiciais ao combate à pandemia, só tem conseguido acumular desgastes entre colegas e cearenses informados sobre suas ações, ou testemunhas delas, se acompanhantes das transmissões ao vivo das sessões da CPI. O escracho recebido do senador Osmar Aziz, presidente da Comissão, na última sessão que definiu as convocações de novos depoentes foi acachapante.

O senador cearense, tentando desrespeitar o acordo feito pela maioria dos integrantes da CPI sobre os futuros depoentes, foi acusado de ser “oportunista, oportunista pequeno” e ainda ser uma figura “sorrateira”. Por isso foi motivo de chacota, principalmente no Ceará. O pior político para os políticos é o que não cumpre acordos. Girão, apesar da contundência do discurso de Aziz, não recebeu solidariedade de colegas do Senado. Ficou vencido e isolado. O deputado Capitão Wagner o defendeu na Câmara Federal, e outros aliados fizeram o mesmo na Assembleia Legislativa e na Câmara Municipal de Fortaleza.

Fragilizado, é prudente que “mergulhe” e evite outras situações igualmente desgastantes, dando tempo ao tempo para retomar mais adiante o projeto de ser candidato a governador, apresentando um discurso diferente, principalmente o de político forte, valente, o que não tem demonstrado no mandato de senador. Enquanto isso, para não deixar o espaço vazio, Wagner faz as vezes de postulante ao Palácio da Abolição, o que não é o seu objetivo primeiro. O deputado, como aqui já registrado, quer ser mesmo é prefeito de Fortaleza, imitando o Moroni Torgan, sempre o deputado federal mais votado na Capital, mas que nunca chegou à Prefeitura, senão como vice de Roberto Cláudio. Ele chegou a disputar o segundo turno de uma das suas campanhas.

Girão tem tempo para recuperar sua imagem e, realmente, no momento oportuno, representar uma parte da oposição (a outra parte será representada pelo candidato do ex-presidente Lula) na disputa pela sucessão do governador Camilo Santana. Mas terá que mudar muito. Primeiro, sendo um cristão verdadeiro, sendo um pouco mais humilde, menos vaidoso e capaz de entender que é senador não só pelos seus méritos, qualidade ou beleza, mas por ter tido como concorrente o ex-senador Eunício Oliveira.

Wagner, admitindo ser um provável candidato a Governador do Ceará, tira o foco do senador Girão e anima a política cearense neste momento. E, no seu grupo, ninguém poderia fazer o papel que ele faz para preservar o senador que, de fato, se conseguir reverter a situação atual, realmente muito difícil, será o real candidato a governador.

Jornalista Edison Silva analisa as reais pretensões políticas do deputado federal Capitão Wagner (PROS):