Elmano diz que qualquer gestor pode ser convocado pela CPI da Covid, desde que haja indícios de malversação de verbas federais. Foto: ALECE/Arquivo.

A convocação, por parte da CPI da Covid do Senado Federal, de alguns governadores e ex-governador para depor, gerou uma discussão acerca de legitimidade da ação.

Investigar prefeitos e governadores não seria uma premissa das Assembleias Legislativas?

Advogado que é, o deputado estadual Elmano Freitas (PT) acha que é possível sim que o Senado investigue quem quer que seja, desde que haja indício de que houve malversação de utilização de recursos federais. Para ele, no entanto, este não é o principal assunto que deve focar a CPI.

“Se o critério da CPI for apurar aplicação de recursos federais, independentemente de quem seja a pessoa, eu acredito que a CPI poderá convocar sim, se tiver indício de que houve malversação de utilização de recurso. Agora, evidentemente, que nós temos bastante coisa ainda para apurar daquilo que é central na crise da pandemia no país: por que o brasileiro não tem vacina no seu braço? Esse é o principal fator que gerou a crise de mais de 450 mil mortes no nosso país, e a responsabilidade disso, em alguns casos muito graves, como no Amazonas, evidentemente exigem investigação”, explicou o parlamentar ao Blog do Edison Silva.

Depoimento de Mayra Pinheiro

Elmano lamentou que a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde do Ministério da Saúde, a cearense Dra. Mayra Pinheiro insista em defender o tratamento da Covid-19 com cloroquina. “Um tratamento com medicação já comprovadamente sem eficácia contra a Covid-19, em vez de assumir que errou, por isso não se acelerando a compra de vacinas, fazendo com que outros ministros da Saúde deixassem o governo”, acrescentou.

Responsabilidade

Para o petista, não resta dúvida da responsabilidade do Governo Federal pelas mortes no país. ”Eu não tenho nenhuma dúvida, porque o ministro da Saúde disse publicamente que iria comprar a vacina. No dia seguinte, o presidente da República publicamente o desautorizou a comprar. O presidente recebeu, já comprovado pela CPI, a informação de que a Pfizer estava a oferecer vacinas, e ele também se recusou. Dessa forma, não há nenhuma dúvida que o presidente Bolsonaro desautorizou toda a equipe do Ministério da Saúde a adquirir vacinas, determinou que o Exército aumentasse a produção de cloroquina, que não serve para nada no que diz respeito à Covid, e deixou o povo brasileiro sem vacina, deixou nosso povo a morrer”, acusou Elmano.