Deputados estaduais cearenses corruptos, segundo o deputado Agenor Neto, colega deles, estão vendendo suas emendas parlamentares para, supostamente comprar material didático, em conluio  com alguns prefeitos, recebendo de volta 50% do valor da verba destinada para a prática do delito. O deputado não nominou os corruptos, embora tenha insinuado que alguns possam ser os que fazem política no Município de Iguatu. Cada deputado estadual tem direito a R$ 1 milhão em emendas parlamentares, que poderão destina-las para os municípios cearenses. A partir do próximo ano, além dos atuais R$ 1 milhão, individualmente, os deputados ainda terão R$ 46 milhões a título de emendas coletivas.

A gravíssima acusação do deputado Agenor Neto ficou silente no plenário da Assembleia Legislativa cearense, após ele as ter tornado público, durante a sessão ordinária do Legislativo, na última quinta-feira (7). O plenário, no momento do discurso do parlamentar, realmente estava praticamente vazia, mas suas palavras estão registradas nos anais daquela Casa legislativa, pois foi de lá que a TV da Transparência levou-as ao mundo virtual e lá continuam. A Mesa Diretora da Assembleia, se ainda não adotou a medida cabível para que os nomes dos corrutos sejam conhecidos, logo, deverá vir a público esclarecer o que fará para tirar da vala comum dos corruptos, aqueles deputados estaduais (a maioria, por sinal) que não pactua com tal excrescência.

É imperiosa uma reação austera da direção da Assembleia, sob pena de ela própria ser acusada de conivente com a corrupção. O espirito corporativo não deve ter espaço em situação que a maioria do colégio fica sob suspeita, para proteger uns poucos criminosos. Basta o que já foi feito no caso do deputado investigado por utilizar a sua Verba de Desempenho Parlamentar para pagar agiotas. dos quais tomou dinheiro emprestado. Ação da Mesa Diretora calou o Ministério Público, o órgão investigador, depois que ele anunciou a realização de uma busca e apreensão em próprios do deputado investigado. O Ministério Público não deu o nome do deputado, mas deixou claro que é um representante de Maracanaú, no caso o deputado Júlio César.

No início da legislatura passada, o então deputado estadual André Fernandes, no seu primeiro mandato parlamentar (hoje ele está deputado federal), denunciou da tribuna da Assembleia, que ali tinha deputado ligado a organizações criminosas. Acusação séria, porém menos grave que a ora feita pelo Agenor Neto. Naquela época a Mesa Diretora ordenou a abertura de processo administrativo e o deputado André Fernandes acabou punido com 30 dias de suspensão do mandato, em 20 de agosto de 2020, por não ter dito quem ou quais os deputados ligados à facções criminosas. André Fernandes era oposição ao Governo do Estado. Será que a Assembleia só o puniu por ser da oposição?

Se a Mesa Diretora da Assembleia, assinar o atestado de conivência com os corrutos atacadas pelo Agenor Neto, cabe aos deputados representar contra a própria Mesa Diretora da Casa e, concomitantemente, recorrer ao Poder Judiciário para interpelar o deputado Agenor Neto. A interpelação não tolhe o direito conferido pela Constituição  “da inviolabilidade, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões”, pois a final se pede apenas que ele nomine os corruptos, como é seu dever.