A deputada federal Luizianne Lins, nesta quinta-feira (26) comunicou a amigos do PT que se filiará à Rede Sustentabilidade, no início da próxima semana, quando, na oportunidade, antes do fechamento da Janela Partidária, dia 3 de abril, fará um comunicado público sobre a sua decisão. Ela não disse, ao comunicar o seu desligamento do PT, que será candidata ao Senado, nas eleições deste ano, mas amigos seus estão contando como certo que ela disputará o Senado.
Luizianne está descontente com o PT cearense e, de resto com o comando nacional. em razão do desvirtuamento, segundo ela, de lideranças petistas no Ceará. Luizianne foi preterida em 2024 de disputar a Prefeitura de Fortaleza, pelo fato de líderes da agremiação em Fortaleza desvirtuarem o processo de escolha dentro do partido. Por conta do episódio ela se distanciou mais ainda do governador Elmano de Freitas e do deputado federal José Guimarães. De Camilo Santana ela já estava afastada a mais tempo.
Ontem, petistas em Fortaleza distribuíram um documento de protesto que fizeram chegar à direção do partido onde apontam discriminações contra Luizianne, citando como responsáveis o governador Elmano de Freitas e o ministro Camilo Santana. Assinaram o documento integrantes da Articulação de Esquerda do PT cearense. Segundo integrantes desse grupo houv e uma reunião com dirigentes do PT nacional, e que a “reunião foi uma iniciativa da direção da tendência no estado do Ceará. Ao final da reunião, os dirigentes nacionais presentes informaram que fariam um relato da situação para a direção nacional, relato que serviria de base para uma resolução política pública a respeito.
Este é o status do presente texto: um relato e uma opinião, que visa converter-se, com ou sem emendas, num documento oficial.
O ponto de partida do relato é o seguinte: a deputada federal petista Luizianne Lins está cogitando sair do PT, provavelmente em direção à Rede, legenda a partir do qual sairia candidata ao senado.
Além disso, está em curso uma articulação que visa impedir que o PT tenha candidato próprio ao Senado. Embora o deputado federal José Guimarães seja pré-candidato ao Senado, uma operação comandado pelo ministro Camilo, respaldada tanto pelo governador Elmano quanto pelo “Campo Democrático” liderado por José Guimarães, visa entregar à “aliados” de direita as duas vagas no Senado.
Outro aspecto da situação é a alteração na composição do Partido, resultado do ingresso de grande número de políticos de direita, alguns dos quais estão envolvidos em crimes, processos e prisões, como as ocorridas e amplamente noticiadas nos últimos dias. Nesse particular, o protagonismo cabe a Camilo, cuja conduta inclui trazer para dentro do PT ou para a condução de aliados setores da direita, inclusive golpistas vinculados em alguma medida ao bolsonarismo.
Além disso, o quadro eleitoral no estado está muito longe de ser tranquilo. Para além dos problemas e debilidades do governo Elmano, existe uma movimentação na direita local – com destaque para Ciro Gomes – que visa derrotar o PT na eleição para governador.
Compõe a situação, finalmente, o contexto nacional e internacional, que influi direta e indiretamente nas ações, sonhos e pesadelos que se abatem sobre a militância, levando alguns à cooptação, outros a acomodação e alguns à ruptura.
Sendo este o quadro, o que fazer? A resposta é ao mesmo tempo fácil e difícil.
É fácil porque acumulamos, desde 1993, uma opinião sobre a situação do PT e da política brasileira, opinião que vem sendo no fundamental confirmada pelos fatos, a saber: na atual situação histórica, não existe para a classe trabalhadora uma alternativa sem o PT ou contra o PT.
Ao longo dos últimos 46 anos, o PT se consolidou como o Partido preferido pela maioria esmagadora dos trabalhadores com consciência de classe. Fracassaram absolutamente todas as tentativas de construir alternativas ao PT e fora do PT. Aliás, o que temos visto nos últimos anos é o ingresso, no PT, de pessoas que anteontem diziam que o PT estaria esgotado. Por uma dessas ironias da história, boa parte desses ex-esquerdistas ingressam no PT em aliança com a chamada direita do Partido.
A resposta é fácil, também, porque movimentos individuais não constituem alternativa para a crise que vivemos. Um dos componentes desta crise é a dupla eleitoralismo & institucionalismo, ou seja, transformar a disputa de eleições e o exercício de mandatos em aspectos supremos da vida partidária, em detrimento de todo o restante: a disputa ideológica, a construção partidária e a luta social”.