Missias foi cobrado por jornalistas sobre restrições à imprensa na Casa. Foto: ALECE

O deputado estadual Missias Dias (PT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Ceará, nesta quinta-feira (11), para denunciar o que classificou como uma série de “ataques à democracia” praticados pela Mesa Diretora da Câmara dos Deputados. Em discurso no primeiro expediente, o parlamentar apontou tratamento desigual entre oposição e base governista e acusou a presidência da Casa de priorizar projetos que beneficiam o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados.

O petista citou como exemplo os episódios ocorridos na última terça-feira (9) no Câmara: a retirada à força do deputado Glauber Braga (Psol-RJ) da cadeira da presidência dos trabalhos, o desligamento do sinal da TV Câmara e a expulsão de jornalistas do plenário.

“Foi uma censura à rádio e à TV da Casa mais democrática do País. Como se espanca jornalista e se impede a entrada no plenário da Câmara dos Deputados? Isso é inadmissível, totalmente fora do que defendemos como espaço democrático”, declarou.

Após discurso na tribuna, Missias foi questionado por jornalistas que acompanham o dia a dia na Assembleia sobre algumas proibições na Casa Legislativa do Estado, como a proibição de fazer registros fotográficos no Plenário 13 de Maio. O petista disse desconhecer a regra, mas afirmou que iria falar com a Mesa Diretora sobre o assunto.

Ainda em seu discurso, o deputado petista criticou especialmente a aprovação, às pressas e às 3h40 da madrugada, do projeto que reduz as penas dos condenadas por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. “Mesmo depois de o STF condenar os envolvidos na tentativa de golpe, a Câmara vota um projeto que transforma pena de até 27 anos em cerca de dois anos. Foi uma votação escondida, que a população não acompanhou. Isso é contra o povo e contra o País”, avaliou.

O parlamentar cobrou do Congresso Nacional a mesma agilidade para punir parlamentares bolsonaristas investigados ou condenados por ataques às instituições.
“Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos recebendo salário sem ser questionado. Alexandre Ramagem foi investigado e condenado, mas não foi cassado. Carla Zambelli fez o que fez e foi absolvida. A Câmara está indo contra as decisões da Justiça, derrubando determinações. Isso é uma vergonha”, afirmou.