Pedro Matos cobrou a convocação de aprovados no último concurso da Polícia. Foto: ALECE

Os constantes casos de violência noticiados corriqueiramente no Ceará levou deputados da bancada de oposição a tecerem diversas críticas à gestão da Segurança Pública no Estado. O assassinato do pequeno Enzo Gabriel, de apenas quatro anos, em Sobral, gerou indignação e comoção. Na sessão ordinária desta terça-feira (14), os parlamentares fizeram um minuto de silêncio em memória da criança e em solidariedade a seus familiares.

O deputado Sargento Reginauro (União) relatou que sábado passado foi o segundo dia do ano mais violento no Estado, com 17 pessoas assassinadas em 24 horas. Segundo ele, o Estado vive uma situação alarmante, podendo chegar a registrar execuções por hora.

“É uma contagem macabra, resultado de uma política ruim. O que temos hoje são reproduções de políticas públicas antigas, que apenas tentam aparentar que há segurança, enquanto a criminalidade age livremente”, apontou.

“A Faixa de Gaza é aqui. As execuções estão debaixo das nossas barbas. É vergonhoso que o Governo não reconheça isso”, disse o deputado ao lembrar do assassinato de Enzo Gabriel.

Antônio Henrique (PDT) reforçou o apelo, pedindo atenção das autoridades e solidariedade à família da vítima. “Eu pergunto àqueles que defendem os direitos humanos: quantos estiveram em Sobral para levar uma palavra de conforto à mãe dessa criança?”, questionou.

O deputado David Vasconcelos (PL) disse estar em falta no Ceará ações para o fortalecimento da segurança pública. “Antigamente, morar no interior do Estado era bom. Atualmente, as pessoas são expulsas das suas casas pelos criminosos. O policiamento é escasso e existem casos em que três viaturas precisam cobrir sete municípios cearenses”.

“No Dia das Crianças morre uma criança de quatro anos. Enzo Gabriel foi baleado e essa é a realidade da insegurança cearense. O Estado diz que é preciso mudança na legislação, mas isso não resolve a carência de viaturas, equipamentos policiais e de estrutura nos presídios”, lamentou o parlamentar ao solicitar um minuto de silêncio.

Já o deputado Pedro Matos (Avante) cobrou do Governo do Estado a convocação de policiais militares e civis aprovados no último concurso realizado pelo Executivo Estadual. Para ele, a convocação dos aprovados se faz urgente diante da sobrecarga da corporação. “Aqueles que se dedicaram e foram aprovados estão esperando essa resposta e a população precisa desses profissionais garantindo a nossa segurança. É impossível combater a criminalidade com a corporação sobrecarregada como está”, avaliou.

Ainda de acordo com ele, não há justificativa para a não convocação dos aprovados, uma vez que há orçamento disponível. “Nós aprovamos nesta Casa uma PEC assegurando prioridade orçamentária para a segurança pública. Condições financeiras já existem. Falta a decisão do governador, este é o momento de agir”.