Lula cumprimenta Maluf, na residência deste, em 2012. Reprodução da Internet*

UDN (União Democrática Nacional) e PSD (Partido Social Democrático), até o início da ditadura iniciada em 1964, eram adversários tidos como “impossíveis” de coligarem-se para qualquer disputa, majoritária ou proporcional, mas para espanto de todos, inclusive admiradores de um e do outro, formaram, no Ceará, em 1962, a famosa “União pelo Ceará”, para eleger o udenista Virgílio Távora, governador e o pessedista, Figueiredo Correia, vice-governador.

O udenista Adail Barreto Cavalcante, que estava sendo preparado para disputar o Governo do Ceará,  rebelou-se e manteve sua candidatura a governador, concorrendo com o seu correligionário udenista, Virgílio Távora, o vencedor da disputa. Adail, naquele mesmo ano foi eleito deputado federal, pois na época, os políticos poderiam ser candidatos, na mesma eleição, a mais de um cargo, e em mais de um Estado.

Depois da “União pelo Ceará”, surgiram informações sobre outras coligações teratológicas, como a do PP, de Paulo Salim Mal, em São Paulo, com o PT do presidente Lula, em 2012, e a mais recente do presidente Lula, com o seu atual vice-presidente, Geraldo Alckmin. Este, antes da aliança, havia dito que, Lula querendo ser presidente, era como o criminoso querendo voltar à cena do crime. A grave acusação contra  o presidente, foi assimilada e ambos estão no comando do País.

Mas a aliança com Maluf, em São Paulo, foi até mais grosseira ainda. Maluf foi o político mais execrado do Brasil. Contra ele existiam acusações muito mais amplas do que as experimentadas atualmene pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Maluf era reconhecidamente com um corrupto, que se apropriou de muito dinheiro público, tanto como prefeito de São Paulo, quanto como governador de São Paulo. Era o líder da direita no Brasil e homem abençoada pela ditadura de 1964.

Paulo Maluf tentou ser presidente da República, mas acabou tendo o mandato de deputado federal cassado pela Justiça, em 2018. Chegou a ser preso, em Brasília, e saiu alguns meses depois, por uma decisão humanitária da própria Justiça, em razão do seu estado de saúde.  Maluf, atualmente conta 93 anos.

O presidente Lula, por exigência do próprio Maluf, foi à residência do homem que era espezinhado por boa parte da população, e especialmente pelo PT, a partir de sua base política em São Paulo, pedir o apoio dele para a candidatura de prefeito do hoje ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Se os petistas cearenses lembrassem disso, nada falaria sobre o encontro de Ciro Gomes com deputados estaduais da oposição, dentre eles alguns bolsonaristas, também não se admirariam do encontro de Roberto Cláudio com Bolsonaro, em Fortaleza.