
As vereadoras de Fortaleza ao lado do presidente da Casa, o vereador Léo Couto. Foto: CMFor
Elas têm em comum o fato de serem mulher e representarem boa parte da população fortalezense. No entanto, não estão do mesmo lado em pautas ideológicas, até mesmo quando o tema é o direito das mulheres
Atualmente 10 mulheres estão atuando na Câmara Municipal de Fortaleza, menos de 25% do total de 43 parlamentares da Casa Legislativa. Cada uma com um histórico político específico, indo da esposa de político, passando por ex-lideranças de bairro até militantes de pautas específicas.
No que diz respeito ao direito de mulher, todas estão em uma certa concordância, mas há diferenças quanto a aplicação. As vereadoras mais votadas na última eleição, as bolsonaristas Bella Carmelo (PL) e Priscila Costa (PL), por exemplo, rechaçam a ideia de feminismo defendida por colegas como Adriana Gerônimo (PSOL), Adriana Alme (PT) e Mari Lacerda (PT). Enquanto as duas primeiras são conservadoras e aliadas do ex-presidente Jair Bolsonaro, as demais são progressistas e defendem a gestão do presidente Lula.
Ana Aracapé (Avante), Estrela Barros (PSD), Kátia Rodrigues (PDT) e Tia Francisca (PSD), por outro lado, evitam esse tipo de embate ideológico. São parlamentares com histórico construído como lideranças de bairro e dirigindo entidades em logradouros da cidade. Neófita, Carla Ibiapina (DC) é esposa do prefeito de Aquiraz Bruno Gonçalves e nora do ex-prefeito do Eusébio Acilon Gonçalves.
De acordo com o portal da Câmara Municipal de Fortaleza, somente nos primeiros meses de 2025, as vereadoras apresentaram 814 projetos na Casa, o que representa 23,43% do total da produção legislativa deste ano. No relatório das propostas apresentadas até o dia 7 de março constam 578 requerimentos, 179 indicações, 53 projetos de lei ordinária, dois projetos de decreto legislativo, um projeto de lei complementar e um projeto de resolução.
As parlamentares tem nos seus mandatos diversas áreas de atuação: defesa dos direitos humanos, políticas públicas para a saúde e educação, luta por moradia digna, infraestrutura para os bairros, assistência social, geração de emprego e renda, direitos das mulheres, defesa da vida.
Para o biênio 2025/2026, duas comissões permanentes são presididas por mulheres: Comissão de Direitos Humanos e a Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia. Os colegiados elegeram as vereadoras Adriana Gerônimo e Professora Adriana Almeida para coordenar os trabalhos nos próximos dois anos. Também foi reestruturada na atual gestão da Mesa Diretora a Procuradoria Especial da Mulher na Câmara de Fortaleza, passando a ter como procuradora uma vereadora.
Apesar das diferenças entre pautas, as vereadoras da Câmara Municipal de Fortaleza têm demonstrado uma mudança no modo de legislar na Casa, ainda dominada por figuras masculinas, principalmente, em funções de destaque no Legislativo da Capital cearense. Aos poucos elas aparecem em comissões temáticas, em algum cargo na Mesa Diretora, mas ainda estão distantes do comando da presidência, o que ainda não aconteceu até essa Legislatura. Serão conquistas para o futuro.