Os dois deixaram de ser inseparáveis. Foto: Reprodução.

Cid Gomes deixou de ser o líder, e hoje é um liderado menor. Foi muito rápido o troco dado por Camilo Santana, nascido para a política do Ceará, por imposição de Cid Gomes. Foi Cid quem o garantiu espaço no Governo, para Camilo conquistar o seu primeiro mandato, o deputado estadual, utilizando-se da secretaria de Desenvolvimento Agrário. Depois foi a imposição de Cid, contrariando a todos os velhos amigos, que o fez governador do Estado do Ceará.
Antes, em 2000 e em 2004, Camilo tentou ser prefeito do Município de Barbalha, não logrou êxito em nenhuma delas. Depois de eleito, com a máquina da secretaria do Desenvolvimento Agrário, com uma votação superior a 130 mil votos, Cid o manteve no Governo, como secretário das Cidades. Não se houve bem naquela Pasta, mas não perdeu a admiração do governador. Para escolher o seu sucessor, Cid inventou um modelo de competição entre os seus aliados, que consistia num trabalho individual de cada um, para conquistarem apoios, após o que, aquele que conseguisse mais aliados, serias o escolhido candidato a governador.
Foram a campo, buscar adesões, como recomendado pelo Chefe, Domingos Filho, Izolda Cela, Zezinho Albuquerque e Mauro Filho. Fizeram papel de bobo, pois, na véspera do encerramento do prazo das convenções, para homologação das candidaturas, Cid reuniu a todos os pretendentes, no Palácio da Abolição e, desconsiderando o estabelecido por ele mesmo, anunciou o nome de Camilo Santana, como o candidato à sua sucessão, oferecendo como prêmio de consolação a Zezinho Albuquerque a Mauro Filho, o direito de escolherem as vagas de senador e de vice-governador. Ambos recusaram de pronto, mas posteriormente Mauro aceitou disputar o Senado, concorrendo com Tasso Jereissati, e Izolda Cela foi ser a vice de Camilo.
A quase totalidade dos aliados de Cid, só tomaram conhecimento da candidatura de Camilo, na manhã seguinte, nas convenções conjunta do PROS, partido de Cid e do PT de Camilo. Alguns quiseram se rebelar, principalmente os governistas da Região do Cariri, sob a liderança do deputado estadual Wellington Landim. Mas, posteriormente, tudo ficou arrumado. Camilo, ao longo dos sete anos que governou o Estado do Ceará, foi leal a Cid, ao ponto de se dizer que Cid continuava como governador.
O primeiro desentendimento deles, que muito pouco repercutiu fora do ambiente mais próximo ao Palácio da Abolição, foi quando Camilo defendeu a reeleição de presidente da Assembleia, do deputado Evandro Leitão. Havia um acordo, avalizado por Cid, de que todos os presidentes da Assembleia, filiados ao PDT, não seriam reeleitos para permitir que mais deputados da agremiação tivesses a oportunidade de chegarem ao cargo. Camilo bancou a reeleição de Evandro, e Cid não gostou.
Depois vieram outros dissabores, como a insistência de Camilo de ter Evandro Leitão, como candidato do PT à Prefeitura de Fortaleza. Cid defendia que o candidato a prefeito da Capital deveria ser, não do PT, mas de um partido aliado. Divergiram sobre candidaturas de aliados no Interior, onde tiveram em palanques aliados. Finalmente, agora, quando da eleição dos novos dirigentes da Assembleia Legislativa, Camilo acerta a indicação de Fernando Santana, sem entendimento com o criador.

na pr
c o