
Líder do PDT na Câmara de Fortaleza, Júlio Brizzi reclamou a falta de liderança para conduzir o momento de racha dentro do partido. Foto: CMFor
Os vereadores pedetistas da Câmara Municipal de Fortaleza, em seus pronunciamentos na sessão ordinária desta quinta-feira (20), revelaram o tamanho que tem sido o racha dentro do PDT no Ceará após o resultado das urnas, no dia 2 de outubro passado. Os parlamentares criticam a falta de liderança para tentar retomar a unidade da legenda. Há quem não creia na união partidária depois da conclusão do processo eleitoral deste ano.
O conflito ficou mais evidente após pronunciamento do deputado Osmar Baquit (PDT) na terça-feira (18), quando enalteceu a eleição de Elmano de Freitas (PT) ao Governo do Estado e chegou a ironizar falas do vereador Adail Júnior (PDT), vice-presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, que era um dos principais defensores da candidatura de Roberto Cláudio.
Em seu pronunciamento, na plenária de hoje, Adail chegou a chamar Baquit de “pitbull desdentado, que não tem dente para morder, só rabo para bater”. “Eu tenho vergonha de estar no mesmo partido que vossa excelência”, chegou a dizer.
Parlamentares de outros partidos se solidarizaram com Adail Júnior, como Danilo Lopes (Podemos) e Sargento Reginauro (UB). De acordo com o líder do PDT, o vereador Júlio Brizzi, o partido passa por um momento difícil, e falta liderança para conduzir a sigla.
“Temos claramente uma divisão. Acho que deveria ter uma solução para que isso não se aprofunde, não crie mais feridas. A gente ainda está no processo eleitoral e espero muito que a gente consiga dialogar, de forma desarmada. Um escutar o outro, sentar numa sala, e defender as questões do partido internamente”, destacou.
Momento do partido
O líder do Governo na Casa, Gardel Rolim (PDT), defendeu Adail Júnior e concordou que o momento do partido é difícil. “Acho até que um momento único. Não lembro um momento que nosso grupo tenha passado por isso, mas creio que em breve teremos as feridas saradas, recueprada nossa capacidade de diálogo. Todos temos maturidade e compromisso com Fortaleza e o Ceará”.
Lúcio Bruno (PDT) lembrou que Osmar Baquit chegou a defender o processo eleitoral interno do PDT, mas questionou o voto do deputado estadual, visto que, segundo disse, viu o correligionário declarando voto em ao menos dois candidatos ao Governo do Estado. Carlos Mesquita (PDT) destacou que o ataque a um dos membros da Casa atinge todo o Legislativo Municipal. Ele também afirmou que durante o processo eleitoral no Ceará houve “um verdadeiro carnaval de infidelidade”.