
Para Roseno, o patrão que ameaça de demissão um empregado que não vota como a empresa pensa está ameaçando a própria instituição do voto secreto no País. Foto: ALCE
A imposição do voto em determinado candidato por parte de lideranças, empresários ou religiosos, que se configura como assédio eleitoral, tem sido uma constante no segundo turno da campanha eleitoral deste ano no Brasil. O tema foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa, na sessão ordinária desta quarta-feira (19), quando parlamentares rechaçaram tais ações, que segundo destacaram, devem ser denunciadas por quem se sentir coagido a votar em um dos postulantes na disputa presidencial.
O deputado Soldado Noélio (UB), também em seu pronunciamento na manhã desta quarta-feira (19), condenou o assédio eleitoral e chegou a citar a empresa estadual Cagece, onde servidores estariam sofrendo assédio para votar em determinado candidato a presidente da República.
Em seu pronunciamento, o deputado Acrísio Sena (PT) lembrou ter vivenciado a prática no período de transição do regime militar para a democracia. “Eu vi donos de empresas coagindo, pressionando, tensionando, ameaçando de demissão quem não votasse no atual presidente da República. Nunca mais tinha visto isso. Veja o quanto está abalada a democracia brasileira”, lamentou.
O petista criticou o candidato à reeleição Jair Bolsonaro pelo que chamou de “compra de votos”, através da utilização da máquina pública. “Hoje mesmo se você passar em qualquer Caixa Econômica tem filas para o crédito consignado do Auxilio Brasil. Olha o consignado para um auxílio que termina em três meses. É uma utilização descarada da máquina pública para comprar votos”.
“Várias empresas utilizaram métodos como oferta e dinheiro pelo voto, ameaça de demissão e retidão de documentos para o não exercício do voto”, apontou. Ele lembrou que centrais sindicais criaram plataforma online para receber denúncias de assédio moral e destacou que o atual presidente responde a pelo menos 36 crimes de todos os tipos de natureza e ainda por causa das pesquisas de intenção de votos com Lula à frente.
Outro que criticou tais medidas foi Renato Roseno (PSOL), que repudiou todos os atos de assédio moral denunciados nos últimos dias. Conforme lembrou, o Ministério Público do Trabalho vem recebendo diversas denúncias de trabalhadores, relatando pressões em seus ambientes de trabalho para votar em determinado candidato à presidente da República.
Empresa
“São patrões do setor privado que têm, descaradamente, assediado trabalhadores no interior das empresas, o que é uma ilegalidade flagrante, um abuso, um crime”, lamentou. Para Roseno, o patrão que ameaça de demissão um empregado que não vota como a empresa pensa está ameaçando a própria instituição do voto secreto no País.
Leonardo Pinheiro (PP) também demonstrou preocupação com as denúncias de assédio eleitoral. “Isso reflete o clima de acirramento e hostilidade que estamos vendo nas eleições. As pessoas têm todo o direito, e até o dever, de denunciar esses casos, pois influenciam a liberdade de escolha dos seus votos, que é o instrumento mais sagrado da democracia”.