
Sargento Reginauro foi presidente da APS até fevereiro de 2020 quando pediu exoneração. Foto: CMFor.
O vereador de Fortaleza, Sargento Reginauro (UB), deve ser ouvido, na tarde desta terça-feira (12), na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Ceará, que investiga o envolvimento de associações de militares com motins realizados por policiais em 2020 no Estado.
O parlamentar presidiu uma dessas entidades durante a paralisação da PM, e foi apontado pela relatoria da CPI como responsável por sacar grande soma de dinheiro, na boca do caixa, no período das manifestações.
A ouvida do vereador será à tarde pelo fato de a Assembleia Legislativa ter antecipado para esta terça-feira (12/04), a partir das 9h30, a sua sessão plenária para analisar sete projetos de lei, dentre eles alguns de interesse do Governo.
O vereador seria ouvido na semana passada, mas a presidência da CPI preferiu convidá-lo para prestar esclarecimentos sobre sua gestão à frente da Associação dos Profissionais da Segurança (APS) nesta terça-feira (12). De acordo com ele, o colegiado não havia notificado a Câmara Municipal de Fortaleza sobre o convite feito.
Segundo Reginauro, a instalação da CPI e sua continuidade em ano eleitoral demonstra que os trabalhos do grupo têm interesses políticos. O parlamentar afirmou que o objetivo do colegiado seria atingir o deputado federal Capitão Wagner (UB), primeiro presidente da APS. Wagner é pré-candidato ao Governo do Estado nas eleições deste ano.
Na sessão ordinária da última quinta-feira, o tema da CPI foi levado à tribuna da Assembleia Legislativa pelo deputado Soldado Noélio (UB), que criticou a condução dos trabalhos da Comissão de Inquérito. Outros membros do colegiado, dentre eles, o presidente, Salmito Filho (PDT), e o relator, Elmano de Freitas (PT), destacaram a importância das investigações.
Elmano de Freitas tem questionado os saques realizados pela presidência da Associação dos Profissionais da Segurança em dias próximos ao motim ocorrido no Estado. Segundo ele, os policiais militares têm interesse em saber onde tem sido investido o dinheiro que repassaram para a entidade. Já o deputado Marcos Sobreira, também membro da CPI, destacou gastos de até R$ 400 mil em uma ação judicial.