Prefeito João Campos de Recife e o senador Cid Gomes, ladeando o deputado Júnior Mano e senador Cid Gomes. Foto: Reprodução/Instagram.

Luizianne Lins foi reeleita prefeita de Fortaleza, em 2008, agastada com o seu companheiro de chapa, Tim Gomes, imposto pelo então governador Cid Gomes, na metade do seu primeiro mandato como chefe do Executivo cearense. Como resultado da falta de entendimento entre prefeita e vice, Tim, logo no dia da posse da prefeita,  articulou a derrota do candidato da prefeita à presidência da Câmara Municipal de Fortaleza.  Luizianne indicou para ser o presidente da Câmara, Elpídio Nogueira, à época filiado ao PSB, e Tim Gomes, o vice de Luizianne, apresentou às escondidas o nome de Salmito Filho, então filiado ao PT, partido de Luizianne. A prefeita registrou a traição no seu discurso de posse, imediatamente após derrota sofrida.

No registro da posse de Luizianne, publicado pelo jornal O Estado de São Paulo, escrito pela jornalista Carmen Pompeu, está dito: “Estou triste por ver que se faz política com lealdade e gratidão, mas que, às vezes, ela também é feita com traidores e conspiradores”, declarou. Por diversas vezes, ela condenou “a política da malandragem, da traição, da ”trairagem”. Luizianne reagiu um quanto pode a aceitar o indicado pelo governador Cid Gomes, para ser o seu vice. A convenção que homologou o seu nome como candidata, não aprovou o de Tim Gomes, que, oficialmente só foi reconhecido como candidato a vice da coligação do PT com o PSB, na véspera do encerramento dos prazos para o pedido de registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
Mudando os nomes, cargos e partidos, ora acontece o mesmo problema com a candidatura do deputado federal  Júnior Mano ao Senado. Cid não é mais governador, mas está impondo o nome de Júnior Mano para disputar uma das duas vagas de senador, no pleito deste ano. Petistas fazem restrições ao nome do afilhado de Cid, e defendem que o próprio seja o candidato, para permanecer mais oito anos no Senado. Cid, entende a manobra dos petistas para afastar Júnior Mano da disputa, e até tem demonstrado irritação com quem faz o discurso de que ele é quem deve ser o companheiro de chapa de Elmano, juntamente com o deputado federal Jose Guimarães disputando a outra vaga de senador.
Qualquer que seja o desfecho para a formação da chapa de senador do grupo governista, o maior prejudicado será o deputado federal  Júnior Mano, sendo ou não um candidato a senador. Sendo o postulante, tem tudo para ser derrotado, como foram os candidatos que entraram na disputa para o Senado, após divergências como as que agora ocorrem com o nome do candidato de Cid Gomes. O primeiro exemplo vem lá de 1962, quando a “União pelo Ceará” indicou como um dos seus candidatos ao Senado, o sobralense Tancredo  Halley de Alcântara, um amigo pessoal da família Monte, de que Parsifal Barroso, governador do Ceará fazia parte. Tancredo foi candidato para, sendo eleito, renunciar ao mandato antes da posse para permitir uma nova eleição de senador e o governador Parsifal, fora do Governo e elegível, disputar a vaga. Deu errado, Carlos Jereissati, com apoio de aliados do então governador foi o eleito.
Um outro candidato a senador, Edilson Távora, imposto pelo governador da época, Cesar Cals, acabou sendo derrotado por Mauro Benevides (PMDB). Alguns amigos do ex-governador Virgilio Távora, com o também ex-governador Manoel de Castro, impuseram  a derrota ao candidato do governador. Agora, mais recentemente, a vítima foi o deputado federal Eunício Oliveira, apoiado pelo governador Camilo Santana, quando buscava  reeleger-se para o segundo mandato.
Eunício foi derrotado por uma rápida ação de amigos de Ciro Gomes, principalmente Roberto Cláudio e Zezinho Albuquerque. Camilo ficou tonto, constrangido, pois fez um esforço muito grande para ajudar o Eunício a permanecer senador. Ele foi candidato à reeleição quando ocupava a cadeira de presidente do Senado da República. O Ex-governador Adauto Bezerra, evitou ser derrotado como candidato a senador, desistindo do seu projeto, foi ser deputado federal.
Adauto havia renunciado ao mandato de governador do Estado do Ceará para ser candidato ao Senado. Ficou no seu lugar como governador Waldemar de  Alcântara, pai do ex-governador Lúcio Alcântara. Logo após a renúncia, Adauto começou a sentir reações de virgilistas como Aroldo Sanford, Leorne Belém, Marconi Alencar e outros contra a sua postulação, e, experiente, conhecedor dos meandros da política, desistiu a tempo.
 O deputado federal Júnior Mano, sendo candidato ao Senado, obviamente não será votado por quem o abomina atualmente. Mesmo que o seu primeiro suplente seja o petista mais importante, respeitado pelos correligionários. Assim, é fácil concluir que  ele não está longe de ter o mesmo destino dos candidatos Tancredo Halley de Alcântara, Edilson Távora e Eunício Oliveira