Os monarcas do passado gastavam o dinheiro dos seus governados construindo prédios monumentais, que são visitados e impressionam os cidadãos de todos os lugares do planeta. Desde dezembro de 2023, o Brasil tinha ciência de que seria o anfitrião e deveria se preparar para sediar a COP-30.
Em 18/11/2025, o jornal O Globo noticiou: “com orçamento de R$ 1 bi, organização do evento já custou R$ 787 milhões. Entre os maiores favorecidos estão a Embratur e a Organização dos Estados Ibero-Americanos”
Todos sabiam, de antemão, da precariedade da rede hoteleira de Belém e de sua incapacidade para abrigar os chefes de Estado, que para lá se deslocariam. Ao contrário dos monarcas, que impressionavam os seus súditos com a exuberância de suas edificações, os condutores da nossa República optaram por custear hospedagens em navios e iates.
Não construíram nenhum hotel para ser deixado como legado do majestoso evento. Essa providência contribuiria para minimizar o drama decorrente da falta de acomodações na cidade, credenciando-a para outros simpósios portentosos.
Somados os gastos com a hospedagem aquática, chega-se a incontroversa constatação de que, realmente, seria muito mais proveitoso construir hotéis para hospedar as autoridades e demais participantes da Conferência sobre o Clima.
Após o encerramento do conclave, os imóveis poderiam ser vendidos à iniciativa privada, por meio de processo licitatório, com o consequente retorno aos cofres públicos do dinheiro consumido nas edificações. Caso essa opção não prevalecesse, poderiam os prédios fazer parte dos programas habitacionais, amenizando o drama da falta de moradia naquele local.
A despeito do expressivo gasto com dinheiro público, persiste a constatação de que o problema da hospedagem continua e a região perdeu a grande oportunidade de ver estimulado, via turismo, o seu crescimento sustentável.
Encerrada a COP-30, os navios e os iates zarpam sem os seus hóspedes. Deixam apenas para trás o rio de dinheiro dos contribuintes desperdiçado, e a certeza de que poderia essa verba ter sido melhor utilizada em prédios, que lembrassem os governantes, assim como são lembrados os monarcas pelas construções que os imortalizaram.
Djalma Pinto é advogado e autor de diversos livros, entre os quais Ética na Política, Distorções no Poder e Cidade da Juventude.
