Sampaio apontou caso recente envolvendo pessoas influentes da Faria Lima. Foto: ALECE

O líder do Governo na Assembleia Legislativa do Ceará, deputado Guilherme Sampaio (PT), classificou como “projeto da extrema-direita bolsonarista” o texto do PL 5.582/2025, aprovado na terça-feira (18) na Câmara dos Deputados com 371 votos favoráveis. Em discurso nesta quarta-feira (19), o parlamentar afirmou que a proposta, relatada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), tem como objetivo real enfraquecer a Polícia Federal e blindar organizações criminosas ligadas a setores econômicos e políticos de alto escalão.

“Enfraquecer a Polícia Federal é favorecer essas organizações criminosas. Estão com medo de que a PF investigue milícias e chegue ao coração do sistema”, declarou Sampaio.

O deputado citou como exemplo a recente operação conjunta da PF com o Banco Central que resultou na liquidação extrajudicial do banco de investimentos Master, acusado de fraudes que causaram prejuízo superior a R$ 10 bilhões a correntistas. Segundo o parlamentar, o banco mantinha “ligações profundas com o Centrão” no Congresso e atuava como interlocutor de senadores que, na Operação Carbono Neutro, apareceram como possíveis financiadores do crime organizado.

“Enquanto a investigação está na favela, tudo bem. Quando chega na Faria Lima, tem que barrar o trabalho da PF”, criticou. Guilherme Sampaio acusou parte do debate sobre segurança pública de ser “demagógico” e voltado à “espetacularização da violência” com fins eleitorais para 2026.

“O povo cearense quer seriedade, responsabilidade e soluções técnicas para ter paz e segurança”, afirmou.

A deputada Zuleide Oliveira (Psol) classificou o projeto aprovado na Câmara como “cortina de fumaça” que não atinge o verdadeiro crime organizado e criticou operações policiais com alto índice de letalidade, como a recente no Rio de Janeiro. “Precisamos de um projeto que mantenha viva a nossa juventude”, defendeu.

Jô Farias (PT) reforçou que segurança pública exige prevenção e inclusão social. “Os governos do PT sempre atuaram em várias frentes: moradia, educação, emprego. A violência se combate com inteligência e ações integradas, nunca esquecendo quem vive em situação de exclusão”, concluiu.