Guilherme Sampaio criticou a “espetacularização” do tema Segurança Pública. Foto: ALECE

A Segurança Pública voltou a dominar os debates na Assembleia Legislativa do Ceará nesta quinta-feira (13), com deputados do PT criticando alterações no projeto de lei antifacção que, segundo eles, enfraquecem a atuação da Polícia Federal (PF) no combate ao crime organizado.

As mudanças, propostas em relatório do deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), foram alvo de duras críticas por parlamentares petistas, que acusam a extrema-direita de tentar restringir a autonomia da PF. A deputada Larissa Gaspar (PT) defendeu a necessidade de ações robustas contra a violência e as facções criminosas, que, segundo ela, devastam comunidades vulneráveis nas periferias do país.

Gaspar classificou como “espetáculo” a postura de setores da extrema-direita, que usariam dados alarmantes para gerar pânico, mas recuariam ao enfrentar os líderes das organizações criminosas. Ela destacou uma emenda que condiciona a atuação da PF nos estados à autorização prévia de governadores, o que, para a deputada, compromete o combate ao crime.

“Querem fragilizar a autonomia da Polícia Federal, como vimos no governo Bolsonaro, que interferia na PF e na Abin para proteger aliados”, afirmou. A deputada reforçou o compromisso do governo Lula com o enfrentamento “firme e responsável” às facções e defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública, que prevê uma estratégia nacional coordenada entre União, estados e municípios, com foco em inteligência e investimentos estratégicos.

O líder do governo na Assembleia, deputado Guilherme Sampaio (PT), também criticou o relatório de Derrite, que é secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo. Segundo Sampaio, o texto altera a proposta original ao exigir que investigações conjuntas entre PF e forças estaduais dependam de pedidos formais dos governadores.

“É assim que se combate o crime organizado? Inibindo nossas forças de segurança?”, questionou. Ele acusou apoiadores do relatório de faltarem com “condições morais e políticas” para discutir segurança pública e de protegerem, na prática, o crime organizado.

“A máscara da extrema-direita caiu. Bradam contra a violência, mas sabotam a segurança pública”, disparou. Sampaio ainda condenou a “espetacularização” do tema por alguns políticos, que, segundo ele, não contribuem para fortalecer os profissionais de segurança nem para avançar políticas públicas eficazes.