Israel França

Como militante e filiado, aprendi a ler a política não apenas nas palavras, mas na arquitetura dos atos. E a nota oficial emitida pelo Diretório do PT de Fortaleza contra a presidenta do SINDIUTE, Ana Cristina, não é uma simples peça política. É a planta baixa de uma traição. É o espelho que reflete a imagem de um partido que, para se manter no poder, decidiu declarar guerra à sua própria história, à sua própria base, aos seus próprios filiados.

Sinto uma vergonha que me rasga a alma. Um partido que carrega “Trabalhadores” no nome, usando a máquina partidária para atacar uma das mais combativas lideranças sindicais do nosso estado, é o sintoma terminal de uma doença que venho denunciando há anos: a captura do nosso partido por uma elite pragmática que despreza a militância e tem pavor do dissenso.

A nota, em sua covardia, acusa Ana Cristina e o SINDIUTE de fazerem o jogo da extrema-direita. É uma tática vil, uma inversão perversa que busca calar a crítica legítima. Quem, de fato, faz o jogo da direita? O sindicato que luta por educação pública de qualidade e por salários dignos para os professores? Ou a gestão que, para fechar as contas de um ajuste fiscal questionável, vira as costas para o servidorismo e ataca seus representantes?

O que o PT de Fortaleza, sob a batuta de Guimarães, Camilo Santana, Elmano de Freitas e do hoje prefeito Evandro Leitão, parece ter esquecido é que este partido não nasceu nos salões climatizados do poder. Ele nasceu no chão de fábrica, nas greves, na teimosia dos movimentos sociais, na garganta rouca de sindicalistas como Ana Cristina. Atacar o SINDIUTE é cuspir no prato em que comemos. É demolir o alicerce que nos sustenta.

Não nos esqueçamos: na última eleição para a prefeitura, o projeto autoritário quase nos derrotou. E por quê? Porque a cúpula, em sua arrogância, ignorou a base. Impôs um candidato alheio à nossa história e nos empurrou para uma aliança que nos custou a identidade. A militância, aquela que carrega a bandeira e vira voto na periferia, alertou. E foi solenemente ignorada. Agora, ao invés de aprender com o quase-colapso, dobram a aposta no erro, atacando quem deveria ser nosso principal aliado.

Esta nota do PT Fortaleza é um malefício à democracia. Ela atenta contra a liberdade de organização sindical e tenta impor, com a truculência de regimes que sempre combatemos, um pensamento único. Ela rasga o nosso Estatuto, que nos manda ser solidários aos trabalhadores, e envergonha tudo o que o PT Brasil, em seus melhores momentos, defendeu.

Eu, Israel França, filiado e militante, não reconheço a minha história nem a do meu partido nesta nota. A minha lealdade não é com o aparelho que persegue sindicalista. A minha lealdade é com a estrela vermelha que aprendi a amar nas ruas, na luta, ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras.

A luta do SINDIUTE não pode e não deve ser invalidada por um grupo, que hoje se apodera e destrói as bases fundamentais do Partido dos Trabalhadores em nosso estado e em Fortaleza.

Por Israel França
Filiado e Militante do PT Brasil